9 de Novembro de 2009

"Bradenburger Tor", fotografia de Gerd Schnürer 1989


Freedom cannot permanently be walled in.

Anónimo
in Mauer Museum
Fevereiro 2009

6 de Novembro de 2009


"Danseuse Cambodgene", Auguste Rodin


Se eu não puder dançar,
não é a minha revolução.

Anónimo
Dezembro 2008

1 de Novembro de 2009

"Jardin Publique" de Hundertwasser

Tout ce que l'on cherche
à rédecouvrir
fleurit chaque jour
au coin de nos vies.

Jacques Brel
Agosto 2008

25 de Outubro de 2009


"Le Hibou" de Pablo Picasso


Quando ouço os pássaros da noite, dá-me muita devoção.

Irmã Eulália
in trajecto de autocarro entre as Termas de S.Pedro e Viseu
Julho 2007


21 de Outubro de 2009

"La Branche" de Marc Chagall


Neste último mês tinham-se visto com frequência, sem nunca marcarem realmente encontro e nunca verdadeiramente por acaso.

Paolo Giordano
in "A Solidão dos Números Primos"
Agosto 2009

16 de Outubro de 2009

"Poema objecte" de Joan Brossa

Escrever é usar as palavras que se guardaram:
se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.

Miguel Sousa Tavares
in "No teu Deserto"
Agosto 2009

9 de Outubro de 2009

"Chestnut tree, seen from the window of the Secret Annex" de Hans v. d. Heuvel

Ser pedra é fácil, difícil é ser vidraça.

Provérbio chinês
Junho 2009

5 de Outubro de 2009

"Lírico" de Wassily Kandinsky

Põe o cavalinho à chuva e trota e galopa na felicidade da chuva
e do poder existir aqui e agora.

Rita Wengorovius
in sms
Abril 2009

2 de Outubro de 2009

"Der Garten der glucklichen Toten" de Friedereich Hundertwasser


Partimos de um pormenor qualquer, por vezes mesquinho, e acabamos sem querer por descobrir grandes princípios.

Geroges Simenon
in "O homem que via passar os comboios"
Julho 2009

26 de Setembro de 2009

foto Pere Vivas


Nous sommes tous à la recherche de cette personne unique qui nos apportera ce qui manque dans notre vie. Et si on ne parvient pas à la trouver, on n'a plus qu'à prier pour que ce soit elle que nous trouve.

Desperate Housewives
Outubro 2008

Para I.
que está de Parabéns.

21 de Setembro de 2009

"Sur la côte de l'Inde, le site de Mahabalipuram"


Quando vires que a razão te assiste
segue para diante.

David Crockett
in "10 Mandamentos" de Henrique Schreck
Fevereiro 2009

13 de Setembro de 2009

"Le baiser" (detalhe) de Gustav Klint


Deixei escondido um beijo, no canto da tua boca.Não tens, por isso, que temer a minha ausência.
Quando subires aos planaltos da saudade, deixa que a tua língua deslize devagarinho sobre os teus lábios e vais ver que, como um colibri, há-de descobrir e colher a saliva do beijo que te deixei, no canto da tua boca.
Saboreia-o, degusta-o, digere-o e reapodera-te assim de mim sempre que quiseres, porque é teu, o beijo que te deixei, no canto da tua boca.


comboio turbulento
Setembro 2009

9 de Setembro de 2009

Michel Rauscher


Todos os povos se constroem como pessoas.

Maria Matias
Julho 2009

4 de Setembro de 2009

"Galáxias" de Afonso da Costa Lopes


No tumulto da Criação do Universo
houve um momento em que o silêncio se encostou à solidão do criador.

Cristina Sopas
Junho 2009

29 de Agosto de 2009

"Children of the sea" de Josef Israelis


Já não tenho nenhum amigo da minha idade.

Manoel de Oliveira
in entrevista na RTP
Junho 2009

23 de Agosto de 2009

"A midi, l'été" de Marc Chagall

Os dias cheios de tempo
onde facilmente se toca a eternidade.

Julho 2009

20 de Agosto de 2009

postal feito em areia, infelizmente anónimo


Sentir o corpo todo dentro de água.
É assim que defino férias.
Julho 2009

Este ano passadas no Monte das Pederneiras, em S.Pedro do Sul, em Lisboa e na Meia-Praia.
E como sempre a saborear filhas e amigos.
Sem pressa.

8 de Agosto de 2009

"Couple enlacé debout, de profil", Auguste Rodin


Se tanto me doi que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Maio 2009


4 de Agosto de 2009


bilhete de entrada na Fundation Folon


Libertar as pessoas é o objectivo da arte,
portanto a arte para mim, é a ciência da liberdade.

Joseph Beuys
Junho 2009

1 de Agosto de 2009

tribute for two gentlemen


- I'm your man ! - afirmava Mr. Cohen.
- Yessss you are, Mr. Cohen! Yesss you are! - confirmou R. num grito.

Eu não penso as palavras que grito.

Henrique Schreck
Julho 2009

30 de Julho de 2009

fotografia de David Abreu


If it be your will
be our guest, Mr. Cohen.
It's a pleasure.

23 de Julho de 2009

"Horizon with Rainbow", Purnima Rao-Kothary, Unicef


A Paul Eluard

Da inocência à confiança
da claridade à fidelidade
do sonho à consciência
da beleza à bondade
da poesia ao amor
do amor à verdade
da solidão à harmonia
da angústia à liberdade
todas as cores uniste
num arco-íris fraternal.

António Ramos Rosa
1979

Para E.
que me enviou este postal, algures em 1996.

15 de Julho de 2009

"Natural pigments", Ashivin Gatha


How I lost my friends
I still don't understand.

Neil Young
Outubro 2008


À Maria César,
"uma amiga da vida toda" como diz a minha Mãe.

13 de Julho de 2009



La gravitation ne peut quand même pas,
être tenue responsable du fait que les gens tombent amoreux.

Albert Einstein
Abril 2008

7 de Julho de 2009

fotografia de Z



Os bancos de Jardim dão jeito,
podemos dormir debaixo ou em cima deles.

Anónimo
Maio 2009

29 de Junho de 2009

"La casa blanca" de Erich Hechel

Em nome

Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma
grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei.

Sofhia de Mello Breyner Andreson
in DN, Junho 2009


Para a Bertinha nos seus 88 anos.


Para a minha Mãe,
a pessoa que eu mais gostava que visitasse este blog, mas que a cegueira impede.

25 de Junho de 2009


"La Pedrera", Gaudí


Eu preciso muito de silêncio, de espaço e de tempo.
São os três luxos absolutamente imprescindíveis na minha vida.

Miguel Sousa Tavares
in "Expresso"
Outubro 2007

20 de Junho de 2009

Exposição de Juan Muñoz in "comboio turbulento.blogspot"


Tudo chega na altura própria
para quem sabe esperar.

Leon Tolstoi
in "Guerra e Paz"
Janeiro 2009

Para C.T.
com uma semana de atraso.

12 de Junho de 2009

"The starry night" de Vincent van Gogh


Why, I say to myself, should the spots of lights in the firmament be less acessible to us than the black spots on the map of France? Just as we take the train to go to Tarasconof Rouen, we take the death to go to a star.

Vincent van Gogh
in postal de J.F.
Março 2009

8 de Junho de 2009

"Praia de Mira" de João Martins

Pesca, pesca pescador
Vais à pesca da sardinha
Louvado seja o Senhor
Que guia a tua barquinha.

Pela voz de meu Pai
Maio 2007

6 de Junho de 2009


Sei resistir a tudo
menos às tentações.

Oscar Wilde
Maio 2009

4 de Junho de 2009



Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta.

Anónimo
in mail
Maio 2009

1 de Junho de 2009

"Danceuse Cambodgienne", Auguste Rodin


Só posso crer num Deus
que saiba dançar.

Nietzche
Julho 1985

27 de Maio de 2009

"Guernica" de Pablo Picasso


SMS
- Estou em frente à "Guernica".
- Desmonta a guerra do sofrimento e delicia-te.

João Mateus
Maio 2009

Não consegui.
Mais uma imagem sem palavras.
Não sei descrever o que senti enquanto estive frente à "Guernica".

Também não sei descrever o que senti enquanto estive frente à "Anunciação" de Leonardo da Vinci.
A José Pinto Nogueira em cujo consultório eu vi a "Guernica" pela primeira vez, era eu muito criança.

À inutilidade das palavras.

Errata: Não é a "Anunciação" mas sim "The Virgin and Child with SS.Anne and Jonh the Baptist"

23 de Maio de 2009

"Dos mujeres corriendo en la playa" de Pablo Picasso

...ni más mia que qualquiera
ni más tuya que de nadie
no tengo soga ni rienda
ni guapo qui me defienda
y voy y vengo a mi aire...

Javier Ruibal
Maio 2009

14 de Maio de 2009

"Sunset", Turner


O crespúsculo
é uma fresta aberta entre dois mundos.

Carlos Castanheda
Janeiro 1980

9 de Maio de 2009

"Regatta in Angenteuil" de Claude Monet


XIV.Navegações

Através do teu coração passou um barco
Que não para de seguir sem ti o seu caminho.


Sophia de Mello Breyner
Março 2009

5 de Maio de 2009


"La colombe de la Paix" de Alexandre Zeukerman


Todos os pássaros, todos oa pássaros
Asas abriam, erguiam cantos,
De Amor cantavam.
Todos os homens, todos os homens,
De almas abertas, de olhos erguidos,
De Amor cantavam.

José Gomes Ferreira
Janeiro 2009

1 de Maio de 2009

pausa para uma história verdadeira

Imagem de Luísa Mota

“Estou muito contente com o 25 de Abril”

No dia em que a brigada das campanhas de alfabetização promovidas pela Pró-UNEP (União Nacional dos Estudantes Portugueses) chegou ao lugar de Sanfins, no distrito de Braga, Mavilde teve um relampejo de esperança e acreditou que por fim a libertação estava a passar por ali.

“São vocês que vêm ensinar as pessoas a ler? É que eu quero, porque não sabia ver as horas e um dia pus um relógio à minha frente e não saí de lá sem saber ver as horas. Agora quero aprender a ler!”. Rosário Melo, uma jovem estudante que, à semelhança de muitos outros, integrou as campanhas de alfabetização durante as férias do Verão de 1974, jamais esquecerá a abordagem daquela mulher analfabeta do lugar de Sanfins, com quem almoça quase todos os anos, desde há dez, no dia 25 de Abril.

“Pus-me a pé a umas oito horas e diziam que em Lisboa tinha havido por lá uma revolução”, recorda Mavilde no seu modo particular de rememorar os tempos idos. Mas em lugar de Sanfins não se passou nada, como se essa tal revolução fosse mesmo apenas e somente uma coisa vivida na distante capital. Até ao mês de Agosto, quando verdadeiramente tudo mudou. “Vieram dizer-me que andava um grupo de estudantes de Lisboa que ia ensinar o que eram os partidos e a ler e a escrever. Perguntaram-me se eu queria e eu disse que sim. Passados uns dias, começaram a dizer: ‘não vamos que são comunistas, não vamos que são comunistas’ e deixaram de ir por causa disso. A mim não me interessava que fossem do que fossem. Deram-me a graça de Deus. Queriam que eu deixasse de ir porque tinham medo do que me pudesse acontecer. ‘Não vás, que dou-te uma rasa de grão’ (o equivalente a um alqueire, ou seja, cerca de 16 kg de milho). Tinham medo que eu corresse perigo, mas eu comia aquilo, e depois? Os ricos queriam era que a gente trabalhasse de graça”. Menos saber ajuda a controlar a insubordinação. Mas Mavilde nunca foi mulher de virar as costas à vida, e quando considerou que não continuaria a trabalhar a troco de uma côdea de pão que não chegava para encher, sequer, a boca de um dos filhos, quanto mais dos três, bateu o pé. Bem cara lhe saiu a atitude, que ver os filhos a passar fome é doloroso demais para qualquer mãe.

Ousem lá dizer a esta minhota que no tempo do Salazar é que era bom, que vão ver. Se há quem tenha esquecido a fome que se passava, Mavilde não é certamente uma delas. “Passei muita, muita, fome!” diz constantemente, como uma reafirmação de si mesma, um sublinhado da gratidão que sente por aquilo que possui hoje. Viveu uma fome tão constante e grande que, “quando passava o homem da sardinha a apitar a gaita, eu punha-me a cantar muito alto para os meus filhos não ouvirem e as vizinhas não perceberem que eu não tinha dinheiro para comprar. Passei muita fome”. Em 1965, tinha então 31 anos, viu o marido partir “a monte” para França, com a ajuda de um passador a quem pagaram 14 “contos”. Desse montante que ajudou a reunir nunca recebeu o retorno. Durante quatro anos e quatro meses bem contados por Mavilde, nunca o homem lhe mandou um tostão, e notícias vazias do essencial só muito de quando em vez, umas cartas que pedia “ao povo amigo” lhe lessem. Com um filho de 22 meses e outro de 14, foi trabalhar para as terras “dos ricos” levando-os consigo sempre que possível. “Quando podia, metia ao bolso pãozinho e o que pudesse para dar aos filhos. Uma vizinha, que tinha um marido feiinho mas muito poupado, que também estava em França, ia-me ajudando e quando não podia, fazia a comida e chamava-me para ir lá comer com os meus filhos. O frio que a gente passava…A fome que a gente passava…”. Quando, em 1969, o marido voltou de férias para ver os filhos, instalou uma francesa, que entretanto por lá arranjara, em Aveiro, e a quem dizia ser viúvo. “Ela queria conhecer os filhos e ele dizia-lhe que viviam com uma madrinha”, mas a mentira tem perna curta e Mavilde apercebeu-se da marosca, embora ele fosse à aldeia e dormisse com ela. “Arranjou-me a filha e foi-se embora. Antes, ofereceu-me um fio de ouro, grosso, e comprou outro para a francesa, mas mais fininho”, relata entre gargalhadas, acrescentando que rapidamente o vendeu para comprar comida. Dele, continuou sem notícias.

Quando os jovens estudantes chegaram a Sanfins, os filhos de Mavilde eram os únicos a frequentar a escola. Apesar de localizada a uma distância de cinco quilómetros e de haver, a meio do percurso, um cemitério que lhe causava arrepios, mal a luz do dia surgia, dizia para si mesma: “não tenho medo, não tenho medo” e corria para ir deixar os garotos na escola. Este gosto pela aprendizagem permitiu-lhe não dar importância ao que a vizinhança dizia acerca dos jovens estudantes. “Eles eram muito boas pessoas. Levavam frango e feijão-frade para nós comermos. A minha filha Isilda nunca tinha comido carne”. Rosário Melo recorda que depois de chegarem, concluíram ser melhor falar com o padre para os ajudar a realizarem uma sessão de esclarecimento. Ele acabou por concordar, organizando tudo, também graças à insistência de Mavilde nesse sentido. “Começámos com muita gente. Durante as aulas, oferecíamos chá e biscoitos. Penso que, apesar de tudo, se as coisas correram melhor connosco do que com outras brigadas isso teve a ver com o facto de, enquanto lá estivemos, irmos sempre à missa e nunca especificarmos quais os partidos com que simpatizávamos quando falávamos de política.” Pese embora a debandada originada pelas vozes que os apontavam como comunistas, alguns permaneceram e aprenderam a ler. Mavilde não passou a escrever com desenvoltura, mas consegue ler “quando a letra é de máquina, à mão é que nem sempre. Ainda hoje estive a ler a Bíblia”. “Ela era a única cujos filhos continuavam a estudar para lá da 4ª classe e, no entanto, era a que vivia pior na aldeia por se recusar a trabalhar por apenas dez escudos”, diz Rosário.


Rumo à capital

Em Outubro de 1974, Mavilde ganhou asas. Um dos estudantes propôs-lhe que fosse para a Carvoeira, perto da Ericeira. “O menino Carlinhos, afilhado do Spínola, disse que eu viesse que me arranjava trabalho na terra e os meus filhos podiam ir para a escola. Mas quando vim para a casa do menino Zezinho, também apanhava dos restos para dar aos meus filhos. Acabaram por não me dar as terras para eu trabalhar e puseram-me a fazer limpezas sem me pagarem nada. Como protestava, começaram a dizer que me levavam de volta para a terra. Escrevi à directora da escola onde os meus filhos andavam, em Mafra, a explicar tudo. Ela deu-me logo dois ou três pacotes de leite e tratou de me arranjar casa cá, por 300 escudos”. Empregou-se num asilo, onde recebia 310 escudos. Nas folgas, “ia trabalhar noutras casas, ia para o matadouro, o meu Patricío (o filho do meio) ajudava e o povo também. Até que o comandante da GNR viu que eu era séria e trabalhava muito e quis ajudar-me. Eu era poupada. Na escola davam-me o almoço e eu lavava a loiça e trazia uns papo-secos. Deram-me um fogãozinho a petróleo, começou a espalhar-se que eu estava sozinha com as crianças e todos foram dando uma ajuda. Quando fui para o asilo não havia horários, lavava a roupa de cem velhotes, lavava a loiça, limpava o chão. ‘Dizei as coisas’, dizia eu às outras. Estive 15 anos no asilo, estive 15 anos no inferno, eram cabras…Não os velhinhos, coitadinhos, mas elas. Mas Deus deu-me mais sorte e aos meus filhos que aos filhos delas. Cabras! E à pior de todas, Deus já lhas fez pagar, que teve um acidente e partiu as pernas”. Para Mavilde as coisas são assim mesmo: Deus escreve direito por linhas tortas. Por isso, recompensou todo o seu penar. Colocou-lhe um homem endinheirado no destino. Meteu-se ao caminho, foi ter com o marido a França e disse-lhe: “Isto agora vai ser diferente. Se vens, vens; se não vens quero o divórcio”. Divorciou-se. “Casei-me novamente. Estive casada sete anos e há outros sete que sou viúva”. Quando o segundo marido morreu, a enteada, que nunca visitava o pai, apareceu a reclamar a herança. Mavilde tinha direito a três quartos dos bens, mas prescindiu dos terrenos por o marido sempre lhe ter dito que queria que ficassem para os netos. Apesar do respeito pela vontade do defunto, a enteada queria mais e ela ameaçou dar-lhe uma bofetada se não se calasse e “ela calou-se!”.

Vive bem. É rica. Os homens rondam-lhe a casa, mas ela não é tola. Fá-los penar. Conforme vão passando do lado de fora da sua casa térrea encrostada no quartel da GNR e que mantém pintadinha e confortável, vai comentando os passeantes. Tem um posto de vigia da sua janela. No telhado pôs pombas de porcelana e na fachada amarela andorinhas e um Santo Cristo de Ponta Delgada que descobriu numa loja de ferragens, porque “gosto muito de ter o que os outros não têm”. Às visitas senta-as em cadeiras, para preservar o sofá para os seus companheiros Boby, Ri e Andorinha, três rafeiros minorcas que ladram em uníssono e reclama de seus “companheiros”. Os filhos estão bem. O António é polícia em Loures, “mas não anda na rua, está na esquadra a fazer escritório, está lá dentro a passar os papéis”. O Patrício é médico, “fez Farmácia e ao fim de três anos foi para médico. Passou-as…poupou muito e passou fome. Casou com uma madeirense, também médica” e só lamenta que se tenha divorciado de uma nora de quem até gostava, porque isso a afastou do neto e “de avião ou de barco não vou, ninguém me lá vê”, embora já tenha deixado o filho levar um dos cães até à Madeira. A mais nova, Isilda, fruto da flausinante visita do primeiro marido, “estava a estudar à noite quando conheceu um rapaz que estava na tropa e foi amor à primeira vista. Disse-lhes: ‘se gostam um do outro, namorem lá, mas não façam asneiras’. Não fazem, não…Ela já levava um filho na barriga há três meses. Acabou por casar aos 18 anos, contra a vontade da sogra, que lhas fez passar muitas”. Vive em Santarém, é auxiliar numa escola e o marido largou a tropa para ir para a polícia, pertencendo às Brigadas de Trânsito.

No próximo dia 1 de Maio, Mavilde realizará o seu almoço anual, este ano adiado por uns dias, com a Senhora Rosária, a Senhora João ( Jonita Ralha) e o Senhor João Médico (João Pereira de Almeida), os jovens estudantes que em 1974 lhe ensinaram as letras. Talvez os filhos apareçam. Todos três sabem que este é um almoço muito importante para a mãe, que diz com a persistente alegria que lhe dá força e saúde: “Estou muito contente com o 25 de Abril, mas também com eles (os “senhores”), porque se não fossem eles, a esta hora estava morta!”.

Guiomar Belo Marques
in entrelinhastortas.blogspot.com
Abril 2009

Hoje não almoço em casa.
Tínhamos mesmo o destino marcado.
Nunca mais nos largámos.
À Mavilde, à Senhora João e ao Senhor João Médico, a nossa história.
À Guiomar, o nosso Obrigado por tê-la escrito tão bem.


Foi Deus que vos pôs no meu caminho,
porque Deus, sozinho, por mim não fazia porra nenhuma.
Mavilde
25 de Abril 1999



25 de Abril de 2009

Imagem de Jorge Martinho, Câmara Municipal de Palmela


No 25 de Abril
libertámos
a liberdade toda.

Vasco Lourenço
in "Expresso"
Abril 1984

18 de Abril de 2009

desenho de Almada Negreiros

Aproveitemos enquanto chove

Tacteia-me o pensamento
Ouve a luz que me sai lá do fundo
Subi Java para que o sentisses.
Junta-te a mim no canto daquela caixa
Desci todos os rios que aprendi na escola só para te chegar.
Odora-me, aroma-me, perfuma-me com o teu suor.
É a minha vez agora de tactear a tua geografia mais íngreme,
De velejar nos teus salpicos de palavras salgadas
De ganhar a tez morena dos pescadores de tanto te pescar.

É isso, deixa-me pescar-te ou faz-me de isco,
de Cisco Kid nos teus lençóis de amazona,
cavalga em mim de freio solto.
Aproveitemos enquanto chove.


Comboio Turbulento
Janeiro 2009



Enganei-me. As minhas desculpas ao autor. Mais uma vez não tinha o texto ao lado.
Acho que até nem fica mal.

15 de Abril de 2009

"Market street in Otavalo/ Equador" de Dieter Hecht


A desvantagem de ser pontual
é nunca ter ninguém para observar.

Woody Allen
Fevereiro 2009

12 de Abril de 2009

"Autumm in Peking II" de Jean Michel Folon


A estrada adora-me!
Sou muito automóvel.

Publicidade da Renault
in "Expresso", Fevereiro 1984

9 de Abril de 2009

"Relógio de Torre", Colecção do Museu Municipal do Dr. Santos Rocha


Ce n'est pas que nous disposons de peu de temps.
C'est surtout que nous en perdons beaucoup.

Séneca
Outubro 2008

3 de Abril de 2009

"Jewelry Shop", Frank Lloyd Wright


Fica-me este tempo suspenso
por fios invisíveis...
que não sei pendurar no espaço
da minha vida.

Pendura perto da janela,
deve viver-se voltado par a luz.

Luísa Coelho
in "O Canto de amor das baleias"
Outubro 1994

Para a Fátima.
Para o António.

26 de Março de 2009

"L' adieu" de Johannes Itten


Et me laissant à mon destin,
il est parti dans un matin plein de lumière.

Edith Piaf
Outubro 2008

20 de Março de 2009

Bunga Raya (Hibiscus), Malaysian National flower


Ei-la!

16 de Março de 2009

"Le café turc II" , August Macke


- Agora vou-te contar uma coisa em que não vais acreditar - disse a Raínha - tenho cento e um anos, cinco meses e um dia.
- Não posso acreditar- disse Alice.
- O quê? Não acreditas em coisas impossíveis? - disse a Raínha em tom de comiseração - decerto que isso se deve à tua pouca idade.
- Como posso eu acreditar em coisas impossíveis? - preguntou Alice cada vez mais surpreendida.
-Olha, é uma questão de práctica. Respira fundo e fecha bem os olhos. Quando tinha a tua idade fazia este exercício todos os dias, durante meia-hora.
Olha que houve dias em que chegava a acreditar em seis coisas impossíveis antes do pequeno almoço.

Lewis Carrol
in "Jornal dos Gambozinos" nº 0
Fevereiro 1986

9 de Março de 2009

Botero


O senhor Gonçalves é de uma honestidade exemplar: é tudo o que aparenta ser.

Senhor Gonçalves
in" uma por rolo"blogspot.com
Agosto 2007

4 de Março de 2009

fotografia de J.P.Leloir, 1959


Je préfère me tromper que me taire.

Jacques Brel
Outubro 2008

2 de Março de 2009

Overcoming the Wall by painting on the Wall


C'est seulement parce qu'il y a eu le témoignage de peintres et d'ecrivains que nous pouvons compendre les espoirs du passé et reconnaitre les possibilitées de l'avenir.

Ernst Bloch
in Check Point Charlie Museum
Fevereiro 2009

1 de Março de 2009

15. August 1961

Conrad Schumann, the GDR border guard, escapes to the West.

Maur Museum


Escape is the mother
of invention.

Anónimo
in Check Point Charlie Museum
Fevereiro 2009


Este postal não tem palavras, pois qualquer uma quebraria o impacto desta imagem.
A imagem não tem autor, mas sei que existe pois vi uma reportagem com ele na televisão.

22 de Fevereiro de 2009

"Oui à la pensée" de Folon


Pour penser comme vous, il n'y a que des hommes qui vivent sur un grand deséspoir ou sur un grand espoir.

Albert Camus
in "La mort heureuse"
Dezembro 1980

19 de Fevereiro de 2009

"Suite Isabelle", Jacques Calone


Quando me sinto bem disposto, seja em carruagem quando viajo, seja à noite quando durmo, acodem-me as ideias aos jorros, soberbamente. Como e donde, naõ sei.
As que me agradam guardo-as como se me tivessem sido trazidas por outras pessoas, retenho-as na memória e, uma após outra, delas tomo a parte necessária para fazer um pastel segundo as regras do contraponto, da harmonia, dos instrumentos, etc.
Então, quando estou em profundo sossego, sinto aquilo crescer, crescer para a claridade de tal forma que a obra mesmo extensa se completa na minha cabeça e posso abrangê-la de um só relance, como um belo retrato ou uma bela mulher, e isso não parte por parte, mas de uma só vez. Achar aquilo e realizá-lo é um sonho soberbo que se desenvolve dentro de mim.
Quando chego a esse ponto, nada mais esqueço, porque a memória é o melhor dom que Deus me deu.

Mozart
in "Pública"
Janeiro 2006

15 de Fevereiro de 2009

M. Chagall


Esta é a história de uma mulher e de um homem que se amaram plenamente, salvando-se assim de uma existência vulgar.Guardei-a na memória de forma a que o tempo a não desgastasse e é só agora, nas noites silenciosas deste lugar, que finalmente posso contá-la.
Fá-lo-ei por eles e por outros que me confiaram as suas vidas, dizendo: toma, escreve, para que o vento não o apague.

Isabel Allende
in "De amor e de sombra"
Agosto 1988

9 de Fevereiro de 2009

"Light Yellow", Herbert Brandl


Il y a des peintres
qui font du soleil une tache jaune,
mais il y en a d'autres qui, par leur pensée et leur talent,
font d'une tache jaune le soleil.

Pablo Picasso
Fevereiro 1988

4 de Fevereiro de 2009

"Cinq Passagers debout", Jean Dubuffet


Penso que não existem coincidências,
mas sim, encontros marcados.

José Luís Borges
in televisão Outubro 2003

29 de Janeiro de 2009

"L' apparition du cercle" de Arpad Szenes


Às vezes acordo
por entre os poemas de Eugénio de Andrade.
O rio, os pássaros, a luz filtrada
pela névoa da manhã,
a beleza em cada gesto.
A certeza da importância deste acordar.
Depressa, os amigos, podemos ser
felizes esta manhã.

Francisco Moniz Pereira
Junho 1984

27 de Janeiro de 2009

"La traversée", Jean Michel Folon


Des bateaux imaginaires.
On ne sait d'où ils viennent.
On ne sait où ils vont.

Jean Michel Folon
in Fondation Folon
Outubro 2008


Claramente para ti nos teus 20 anos.

17 de Janeiro de 2009


(...) quarenta anos passados, mantinham ainda correspondência com o carteiro e a mulher, porque os quatro conservavam o coração generoso e a mente esclarecida.

Isabel Allende
in "De amor e de sombra"
Agosto 1988

13 de Janeiro de 2009

"EARTH form ABOVE" de Yann Arthus-Bertrand



A terra tépida guarda ainda os últimos segredos.

Vicente Huidobro
Agosto 1988


Indubitavelmente para ti, nos teus 22 anos.

11 de Janeiro de 2009


"Wohin?" de Paul Klee

L'avenir m'intéresse:
c'est là que j'ai l'intention de passer mes prochaines années.

Woody Allen
Outubro 2008

5 de Janeiro de 2009

Museum van het Bock


Sempre imaginei que o Paraíso
fosse uma espécie de livraria.

Jorge Luís Borges
in Livraria biblos
Dezembro 2007

1 de Janeiro de 2009


desenho de Inês Campos


Sê a mudança que queres ver acontecer no Mundo.

Gandhi
Agosto 2007

Este postal é diferente, pois a Inês desenhou-o a partir da frase.

30 de Dezembro de 2008

fotografia de Paulo Nozolino


Quando acordamos desanimados a meio da noite,
os inimigos que derrotámos há muito tempo voltam para nos assustar.
Nietzshe
Outubro 2007

24 de Dezembro de 2008

éditions Jacques Brel


...Je crois que les hommes sont merveilleux...

Jacques Brel
24 décembre 1968

16 de Dezembro de 2008

in www.comboioturbulento.blogspot.com


Há sempre mais terra
para além da pouca terra.

in comboio turbulento
Agosto 2008

9 de Dezembro de 2008




Um dia hei-de fazê-lo.

8 de Dezembro de 2008

"Caligraphie", Jean Michel Labat e Florence Rouquette


A escrita é um meio de investigação.
A Salette Tavares disse numa entrevista: "a minha mão direita sabe muito mais do que eu".

António Alçada Baptista
in entrevista no DNA
Agosto 1999

Estou triste.

1 de Dezembro de 2008

"Spirale de galets", Anin Cutting


Seuls l'amour et l'amitié comblent la solitude de nos jours. Le bonheur n'est pas le droit de chacun, c'est un combat de tous les jours.
Je crois qu'il faut savoir le vivre lorsqu'il se présente à nous.

Orson Welles
Junho 2002

15 de Novembro de 2008


"La Mer" de Jean-Michel Folon

Mar

Metade da minha alma
é feita de maresia.

Sophia de Mello Breyner Andresen
in Oceanário
Março 2005

11 de Novembro de 2008

ilustração de Raul Lino


O gato, à sua janela,
ao Sol, que brilha fulgindo,
vai dormindo,
vai pensando
e vai sonhando.(...)

in "Animais Nossos Amigos"
Afonso Lopes Vieira
sem data

Sem data porque o sei desde sempre.
Para a Zazu, claro.

5 de Novembro de 2008

Pausa para um dia muito especial

4 de Novembro de 2008

"Fou de Bassan" de Ch. Cambier

Mais vale um pássaro a voar
do que outra coisa qualquer.

Anónimo
Alvito 2008

Hoje é para M. e F.

25 de Outubro de 2008

"Enfant au Cerf-Volant", Arpad Szenes


É muito fácil detectar a desordem no mundo real e tangível.
O difícil é encontrar a ordem das coisas que não se vêem.
Poucos o conseguem. Entre eles, os artistas são os arrumadores por excelência. Com a sua especial percepção decidem qual é o lugar que deve ocupar o amarelo, o azul ou o vermelho numa tela; que lugar devem ocupar as notas e que lugar os silêncios; qual deve ser a primeira palavra dum poema. Vão criando quebra-cabeças unicamente guiados pela sua voz interior que lhes diz: "Isto fica aqui " ou "Isto não fica aqui" até porem a última peça no seu lugar.

Laura Esquível
in "A Lei do Amor"
Novembro 1997

13 de Outubro de 2008

fotografia de Karl Geiser, in convite para vernissage Fotostiffing Schweiz


Quero usar calças compridas, quero descer dos eléctricos em andamento, quero ser revisor da CARRIS, quero tocar todas as cornetas de plástico do mundo, quero ser uma caixa cheia de bichos-da-seda, quero o boneco da bola, quero que não haja hospitais, que não haja doentes, que não haja operações, quero ter tempo para ganhar coragem e dizer aos meus pais que gosto muito deles.

António Lobo Antunes
in "Olhares"
Fevereiro 2000

Para a Bertinha
no 58º aniversário do "Lar da Criança".

26 de Setembro de 2008

"Le temps couvert" de Desclozeaux

Escrever é ter a companhia
do outro de nós que escreve.

Virgílio Ferreira
Julho 2007

21 de Setembro de 2008

"Le courant Humboldt" de Max Ernst

Sisters of Mercy

Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.

Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
they will bind you with love that is graceful and green as a stem.

When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.


Leonard Cohen

Happybirthday, Mr. Cohen!


13 de Setembro de 2008

Gaudí


Tudo nos vem dos outros...
Ser é pertencer a alguém.

Jean Paul Sartre
Abril 1999

6 de Setembro de 2008

"L' étoile matinale" de Juan Miró


Como é que encontrava todas as minhas ideias para quadros? Pois bem, à noite, já tarde, voltava ao meu atelier na rua Blomet e deitava-me, às vezes, sem sequer ter jantado.
Tinha sensações que anotava no meu caderno.

Via aparecer formas no tecto.

Juan Miró
in "Miró"
Janeiro 2008

31 de Agosto de 2008


"Rythme syncopé, dit le serpent noir" de Sonia Delaunay

Le talent
ça n'existe pas.
Le talent
c'est avoir l'envie
de faire quelque chose.

Jacques Brel
Agosto 2008

25 de Agosto de 2008


"le rêve de pierre" de Folon

Le contraire d'un idéaliste
c'est trop souvent un homme sans amour.

Albert Camus
in "La mort Heureuse"
1980


E assim terminei as minhas férias.
Na terra de Brel e de Folon.
E de L., com quem nunca acabo de matar saudades.

14 de Agosto de 2008

andanças 2008


A Daniel Peces,
o meu muito obrigada
pelas inesquecíveis lições de dança.

Agosto 2008

9 de Agosto de 2008

fotografia de Raul Henriques


Só trabalho com molas azuis
para dar um estilo à minha vida.

Rui Martins
Março 1998

1 de Agosto de 2008

rosário

Dum loquimur, fugerit invicta Aetas.
Carpe diem,
quam minimum credula postere.

Enquanto falamos, o tempo ciumento terá fugido.
Goza o tempo,
crendo o menos possível no amanhã.

Horácio
in "O clube dos poetas mortos"
Dezembro 1990


Para M., K., T., R. e A.
com quem desfrutei os primeiros dias destas férias.
No Monte das Perdeneiras.

19 de Julho de 2008

fotografia de Manuel M. Pinturache


Wellcome, Mr. Cohen.
It's my pleasure.
It's our pleasure.

rosário
Julho 2008

13 de Julho de 2008

Catálogo "O Estado do Mundo", Fundação Gulbenkian, 2007


Summer afternoon-
para mim sempre foram as duas mais belas palavras da língua inglesa.

Henry James
Julho 2007

7 de Julho de 2008

pintura de Botero


O senhor Gonçalves tem soluções maravilhosas para problemas que ainda não existem.

Sr. Gonçalves
in "Senhor Gonçalves" blogspot.com
Novembro 2007

4 de Julho de 2008

fotografia de Rodrigo Arangua / AFP, "Público"


Sinto-me feliz por voltar a estar com os meus filhos depois de sete anos.
São os meus filhos, o meu orgulho, a minha razão de viver, a minha Lua, as minhas estrelas.(...)
Por eles continuei apostada em sair da selva, com a ilusão de voltar a vê-los.

Ingrid Betancourt
Ao ser libertada e após seis anos, quatro meses e nove dias de cativeiro pelas FARC.
In "Público", Julho 2008

29 de Junho de 2008

"Le Petit Prince"


Moi, dit le petit prince,
si j'avais cinquante-trois minutes
à dépenser, je marcherais tout doucement vers une fontaine.

Antoine de Saint-Exupéry
in "Le Petit Prince"
Fevereiro 2008


Para a Bertinha
nos seus 87 anos.

25 de Junho de 2008



Agora gozo muito mais do que sofro.

Miguel Sousa Tavares
in "Expresso"
Outubro 2007

15 de Junho de 2008



Ne me secouez pas
je suis pleine de larmes.

Anónimo
Outubro 1980


For Ineke Hoeksema

É na fracção de um instante que se passa a conjugar
alguém que nos é querido, no imperfeito do indicativo.
Não é fácil.

10 de Junho de 2008

capa de António Belchior
rosário e Raul Henriques, 2006
Não resisto.

Na Feira do Livro.
- Olá, Boa -tarde!
- Boa-tarde.
- Para?
- A rapariga dos postais .
- Oh! Irene?
- Rosário.
- Já agora aproveito para lhe dizer, que enquanto escrevi "O Rio das Flores", tive sempre um postal seu à minha frente, assim como uma frase do Chico Buarque.
(tenho pena de não ter retido a frase)
- A sério? Está-me a dar uma alegria!!
- O "Quero Mais".
- Esse postal deu-me imenso trabalho, a mim e ao meu amigo.
- Como? O postal não é seu?
- É, é. Só que não sei mexer em computadores. E já agora não quer escrever isso aí?


4 de Junho de 2008

"Les Iles d'or" de Edmond Cross


Continuo tão optimista
que os meus amigos pensam
que não sou normal.

Raul Henriques
Outubro 2000

1 de Junho de 2008


"Partie de billes", Keystone France

Que saudades!
Tenho saudades
Desses tempos que lá vão.
Quando à porta do quinteiro
Eu jogava o meu pião
E quando nos campos corria
Com o papagaio na mão.
Oh, era então na terra
Tudo venturas para mim,
Meu Pai dava-me biscoitos,
Minha Mãe beijos sem fim.
Minha Avó perfumava-me
De manhã com alecrim.

Pela voz de meu Pai
Maio 2007

24 de Maio de 2008


"Folk Guitar" painted at a lunch-time Foyer Concert at the Royal Festival Hall London


The Times They Are A Changin'

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'.
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.

Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'.
Pease get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will be later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.

Bob Dylan
sem data

Para B.D.
e para L. que nasceu em Maio de 68.

21 de Maio de 2008

Casa Batilló, António Gaudi, Fotografia de Pere Vivas


Não sei se estamos a licenciar um génio ou um louco.

Na entrega do diploma de António Gaudi
Março 2008

15 de Maio de 2008

início

rosário


Tudo começou há um ano.
Eu nem sonhava onde ia me meter.
Estou a gostar. Muito.

11 de Maio de 2008

fotografia de Tiago Petinga, LUSA


Sou uma miúda cheia de sorte.

Vanessa Fernandes
ao ganhar pela 5ª vez o título de Campeã da Europa em triatlo
in Diário de Notícias
Maio 2008

5 de Maio de 2008

fotografia de Z
umaporrolo.blogspot.com



Tenho 40 janelas
na parede do meu quarto,
sem vidros, nem bambinelas,
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do sol,
por outra a luz do mar,
por outra entra a luz das estrelas,
que andam no céu a rolar.

Por esta entra a via láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela frente a beleza
que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança,
quatro arestas,
quatro vértices,
quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho
que as vigias são redondas
e o sonho afaga e embala,
à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo e a humildade,
e o silêncio e a surpresa
e o amor dos homens e o tédio
e o medo,
e a melancolia,
e essa fome sem remédio
que se chama poesia.

E a inocência e a bondade,
e a dor própria e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia
e a viuvez
e a piedade.

E o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo.

Todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar,
com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.

António Gedeão
Outubro 2007