29 de janeiro de 2017

"The avenue in snow" de Edward Munch


Pela rua abaixo
só o vento falava.

Miguel Torga
in "Público"
Janeiro 2010

7 de janeiro de 2017

"À l'Heure de l'obervatoire des amoureux" de Man Ray



Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido às alturas do teu sorriso.

Manuel António Pina
in Café Orfeuzinho, Porto
Agosto 2016

1 de janeiro de 2017

Repito

"Equilibre" de Jean-Michel Folon


Quero é ir à Lua

Tantas noites eu olhei enfeitiçado
O mistério daquele rosto prateado:
"Ai que bom era pensava p'ra comigo
Penetrá-la e saber o seu sentido".

Concebido por cientistas e inventores
P'a fazer um foguete, os serralheiros
Queria congregar, e os fundidores,
Os mecânicos e mais os carpinteiros.


Vou partir à descoberta
A Terra é a minha prisão
Quero desta vida incerta
A Lua na minha mão.


Quero vestir um fato especial
Voando; com Alcofrisbas, Nostadamus,
Omega e também Parafagamus
Percorrendo o território sideral.

Não sabendo se há na Lua Selenitas,
Nem que esforços e perigos correrei;
Mas porque sonho maravilhas infinitas
Não é pequena a alma que terei.


É pois isto que me move,
A terra é a minha prisão,
Vou na brasa, vou a nove,
Quero a Lua em minha mão.


Ver cada vez mais perto o rosto inerme,
Conseguir desvelar-lhe os pormenores,
Tocar-lhe suavemente a epiderme
Mergulhando talvez por um dos poros.

Explorar-lhe, logo após, vales e faces
(Como se ela estivesse toda nua)
A visível, a oculta e os entrelaces
Conhecer quem tu és, ó bela Lua!


Possa eu ir onde quiser
A Terra é a minha prisão,
Mãe te digo, haja o que houver,
Quero a Lua em minha mão.


Raul Henriques
in "Celestino Ventura e o século da Lua"
Teatro Trindade, Maio 2005