26 de julho de 2010

Imagem de Ton Schulten


Conta o teu segredo ao vento,
mas não o culpes por ele o contar às árvores.

Khalil Gibran
in "Mil sois Resplandecentes"
Maio 2010

20 de julho de 2010

Reprodução de página do livro "A Casa do Silêncio", Bando dos Gambozinos



grafite dura

Gosto dele rombo
para o aguçar...
É o bombo
da minha festa
batuta de pequena orquestra
e do silêncio
que ao fim e ao cabo
de mim resta.

Gosto dele pequeno
quando já se gastou
nas palavras que eu sou.
Imenso beijo cinzento
na segunda pele
que o papel
me emprestou.

E a minha infância
falsa e verdadeira
ficou nele inteira
embora tudo o que ele escreveu
se possa apagar.
Vale a pena re
começar
de outra maneira.

Bando dos Gambozinos
Maio 2010

15 de julho de 2010

Ton Schulten


Naquela casa aprendemos cedo duas coisas sobre a poesia.
A primeira, era que os poetas eram todos uns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes.de todos, o mais fantástico era o Ruy Cinatti, que me convenceu que era o nosso irmão mais velho,regressado de outra vida em Timor e que esteve à beira de conseguir transformar-nos em guerrilheiros contra a precária disciplina familiar.Vinham e iam constantemente poetas tristes ou alegres, cerimoniosos ou tumultuosos e até um, o Ruy Belo, que me levava à Luz ver o Benfica e jogava futebol comigo no jardim.


Miguel Sousa Tavares
"e ela dança"
a mais bonita homenagem a Sofhia de Mello Breyner,
in "Não te deixarei morrer David Crockett"

Maio 2oo2

4 de julho de 2010

"Agarrá-las-ia", rosário 2010


Ele era o maluco que se pintava de preto e derrubava o mundo.
Ela era a rapariga que roubava livros e não tinha palavras.
No entanto, acreditem em mim, as palavras vinham a caminho e quando elas chegassem, Liesel agarrá-las-ia nas suas mãos como as nuvens e torcê-las-ia como a chuva.

Markus Zuzak
in "A Rapariga que roubava livros"
Abril 2010