12 de outubro de 2013

"Cheval dans le paysage" de Franz Marc


Cavalo à solta


Minha laranja amarga e doce 
meu poema 
feito de gomos de saudade 
minha pena 
pesada e leve 
secreta e pura 
minha passagem para o breve, breve 
instante da loucura 

Minha ousadia 
meu galope 
minha rédea 
meu potro doido 
minha chama 
minha réstia 
de luz intensa 
de voz aberta 
minha denúncia do que pensa 
do que sente a gente certa 

Em ti respiro 
em ti eu provo 
por ti consigo 
esta força que de novo 
em ti persigo 
em ti percorro 
cavalo à solta 
pela margem do teu corpo 

Minha alegria 
minha amargura 
minha coragem de correr contra a ternura. 

Por isso digo 
canção castigo 
amêndoa travo corpo alma amante amigo 
por isso canto 
por isso digo 
alpendre casa cama arca do meu trigo 

Meu desafio 
minha aventura 
minha coragem de correr contra a ternura 

José Carlos Ary dos Santos

in "Festival da Canção"

Outubro 2013

28 de setembro de 2013

Imagem de Georges Meis, "Editions Meis Studio



A força vem de uma profundidade insuspeitável.

António Ramos Rosa
Setembro 2013

10 de setembro de 2013

Fotografia de Roger Kahan



E defronte, na mesma canícula, ficava o edifício que havíamos de passar a visitar diariamente, e em torno do qual giravam, a toda a hora, os nossos pensamentos: a estação central dos Correios. (...)
A nós interessavam-nos apenas os guichés da posta-restante. Eram recuados, ficavam nma galeria lateral, empurrados para a parede como nós próprios. Mas facilmente se localizavam, tanta era a gente que os procurava. Havia-os aos montes, aqui postados em filas, refugiados, todos eles inquirindo de cartas e telegramas.

Alfred Doblin
in Exposição "A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra"
Agosto 2013

2 de setembro de 2013

"Praça dos Restauradores" de Mário Novais


Chegámos à Praça do Rossio, o centro de Lisboa. Magnífico! Só quem vem de um país numa escuridão total, onde à noite é preciso andar pelas ruas a tactear o caminho, pode apreciar o que viemos encontrar.
Quando às duas da madrugada sentimos jorrar sobre nós aquela iluminação mágica das luzes na Praça.

KarlO Paetel
in Exposição "A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra"
Agosto 2013

1 de setembro de 2013

"Fazendo agulha para o Carro eléctrico" de Horácio Novais



Seguem aos solavancos calhas fora, matraqueiam sobre  carris até fazerem tinir os vidros das janelas.(...)
O seu carro tem na dianteira uma estrutura vigorosa de protecção, em forma de pá. Quando o veículo assim aparelhado dobra uma esquina, tem-se a impressão de que está apostado em ceifar transeuntes.

Alfred Doblin
in Exposição " A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra"
Agosto 2013

31 de agosto de 2013

"Café Chave D'Ouro" de Kurt Pinto


O Café estava a abarrotar de gente(...). O ar cheio de fumarada e pesado hálito de tantas pessoas...a História dos Refugiados vestia os mesmos trajes com os quais tinha abandonado a sua terra ou o país que temporariamente lhes tinha concedido asilo. As roupas estavam velhas e gastas, sujas e muitas vezes esfarrapadas.

Erika Mann
in Exposição "A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra"
Agosto 2013

29 de agosto de 2013

"Ardina" fotografia de Horácio Novais


Dia após dia, cruzávamo-nos com músicos, cantores e cantoras joviais, um pouco por toda a cidade.
Durante uma semana inteira chegaram-nos aos ouvidos ecos de música frenética de baile, das bandas do mercado. E quem não tenha ouvido os apregoadores de jornais às sete da manhã, não sabe do que a voz humana é capaz.

Alfred Doblin
in Exposição "A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra"
Agosto 2013

28 de agosto de 2013

Nos 50 anos


"Martin Luther King", Wizard and Genius




Há homens que lutam toda a vida,
esses são os imprescindíveis.

Brecht
Janeiro 2011


Para a Bertinha, minha Mãe, lutadora e imprescindível.

Dediquei-o à minha Mãe.
Não posso deixar de o publicar novamente nos 50 anos do célebre discurso.
Para todos nós que acreditamos que alguma coisa tem de mudar.

23 de agosto de 2013

"Porte d'Aval" de Claude Monet


...on n'était pas du même bord,
mais on cherchait le même port.

Jacques Brel
in  Conversa com Henrique Schreck
Abril 2013

18 de agosto de 2013

"Fiesta, fiesta, fiesta! Cuando va a acabar?!", Urbana Postales



Que venha o sol o vinho e as flores
Marés, canções de todas as cores
Guerras esquecidas por amores;

Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;

Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia;

Que não se privem nas despesas
Afastem todas as tristezas
Pão vinho e rosas sobre as mesas;
Que tragam cobertores ou mantas
E o vinho escorra p'las gargantas
E a festa dure até às tantas;

Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!

Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos! 


José Niza
in "Festival da Canção"
Agosto 2013


12 de agosto de 2013

"EL ABRAZO" de Pablo Picasso


Aliás, eu cresci com ela, vivi com ela a minha infância e adolescência, enquanto ela vivia, sob o meu olhar, o seu único e maravilhoso romance de amor com o meu avô Tomaz. Como já não se vivem mais, como já ninguém sabe mais viver.
Se hoje, a alguma mulher- ou homem vá- fosse proposto um amor assim, feito de de um amontoado de dias sempre iguais, de hábitos, rituais, incompreeensíveis manias estabelecidas, feito de tantos e tantos silêncios, de olhares mudos, mãos que às vezes tocavam disfarçadamente sobre a mesa quando mais ninguém estava a ver, feito de tantos e tantos trabalhos esforçados, canseiras, cansaços, desilusões e embaraços, quem, que mulher, que homem, chamaria a isso amor?
Quem de nós, hoje, quereria viver um romance assim, fechado numa aldeia fechada para o mundo, entre ovelhas, porcos, galinhas, Invernos gélidos e Verões de um calor impiedoso, toda uma vida sem tréguas, nem disfarces, nem sequer um aparelho de televisão que trouxesse a essa vida uma dose mínima de ilusão e de mentira? Quem de nós conseguiria amar sem ilusão, amar sem Televisão?


Miguel Sousa Tavares
in "Madrugada Suja"
Julho 20013

24 de julho de 2013

"Galets" de Tim McGuire


As pedras do caminho?
Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo.

Inês Campos
in recado
Junho 2012

8 de julho de 2013


"Korntal" de Júlio Resende


Mas pronto, partilhávamos o silêncio,
 e o silêncio a dois não é o mesmo que o silêncio sozinho.

Miguel Sousa Tavares
in "Madrugada Suja"
Junho 2013

23 de junho de 2013

"Cercles de couleurs vraies" de And Tuominen



 Peut-on parler d'une amitiée?
Dans mon cas, il s'agit d'un amour doublé de reconnaissance.

Erich- Emmanuel Schmitt

in "Ma vie avec Mozart"
Junho 2013

16 de junho de 2013

"Un coin dans l'atellier de l'artiste" de Henri Matisse



O tempo passa mas eu espero por ti.

Lao Tsé
in Estação do Parque, Metropolitano de Lisboa
Julho 1995

8 de junho de 2013

"The Meeting" de Johann Ittenes


Só não se ouvem
os sons
que não se conseguiram 
produzir.

Só não se vêem 
as cores
que não se conseguirem 
imaginar.

Henrique Schreck
Junho 2013

1 de junho de 2013

"Chiaro de luna" de Edward Munch


Nem todos terão vivido um grande amor
 mas haverá alguém que nunca tenha festejado uma noite de luar?

Junho 2013

Para a Teresa.
Para a Inês.

26 de maio de 2013

"Vue de la fenêtre à Zaolchie, prés de Vitebsk" de Marc Chagall



Cést comme si elle me connnaissait depius longtemps, comme si elle savait tout de mon enfance, de mon présent, de mon avenir, comme si elle veillait sur moi; je sentis que c'éteit elle ma femme(...). Je suis entré dans une maison nouvelle et j'en suis inséparable.

Marc Chagall
in Catálogo da Exposição Jardim do Luxemburgo, Paris.
Março 2013

12 de maio de 2013


"Onze Lieve Vrouwe van Colombia" de Feranando Botero


... a ela nunca me esquece nas minhas rézinhas.

Mavilde
Abril 2013

"Primavera", Sala B Jardim de Infância S.João 2


A Primavera tardou
mas chegou.

Maio 2013

5 de maio de 2013

"Big Bang" de Afonso da Costa


Somos feitos de uma estranha mistura de ácidos nucleicos e de memórias,
 de sonhos e de proteínas, de células e de palavras.

François Jacob
in "Público"
Abril 2013

Para a Jonita.

27 de abril de 2013

"Le voyant" de Jean Michel Folon



Tenho umas saudades de ter certezas...
que nem te passa pela cabeça!!

Nela
in telefonema no 25 de Abril
Abril 2013

20 de abril de 2013

fotografia de Éric Lafforgue


Le bonheur est la seule chose qui se double si on le partage.

Albert Schweitzer
Postal d'L.
Março 2013

13 de abril de 2013

"Cour de récreation" de Robert Doisneau

Tudo o que foi vivido,
ajudou a crescer.

Eugénia
P.A.I.C. 1990

Este postal é para a Eugénia.
Esta frase surgiu para embelezar o final do Relatório de Avaliação de ano lectivo de 1990.
Desde aí, termino todos os meus relatórios com esta frase.
A Eugénia acabou de se reformar.
À nossa Amizade.

7 de abril de 2013

Fotografia de Eric Laifforgue


La réalité est ce qui se partage.

Bernardo Carvalho
Postal d' L.
Março 2013

17 de março de 2013

Photo de Éric Lafforgue



Minha Querida,

Vamos suspender o tempo num instante, na contemplação de cada instante de pura beleza, como este olhar. Vamos agarrar cada momento, cada olhar, cada sorriso, como se fosse eterno. Vamos viver, vamos dizer aos nossos amigos que gostamos deles mais que tudo, vamos dizer aos nossos filhos que os amamos sem limites, dizer a todos que a vida é aqui e agora!

Luísa Lampreia
Março 2013

9 de março de 2013

"Dançar nas Nuvens", edições Kalandraka


Rosário Querida,
Querida Comadre:

Deixo-te, além de muita ternura,
esta fadinha,
entre o sexy e o idoso
para afungentar intrusos, polícias,
e qualquer pessoa mal intencionada
que alguma vez possa ter a veleidade
 de ofuscar
a brancura desta tão sonhada casa.
"o que mais custa é o que mais vale"
diziam-nos em pequenas.
Então esta casa vale mesmo muito.
Empoleirada em
sonhos, construída entre lágrimas e risos,
estará protegida pela fadinha.

Beijos em fim
Jonita
Outubro 2012


12 de fevereiro de 2013

Portrait de la Marquise de Pompadour ( détail) de Francois Boucher


La radio marque les minutes de la vie ;
 le journal, les heures;
 le livre, les jours.

Jacques de Lacretelle
Janeiro 2013

27 de janeiro de 2013



"Hampton Court Palace", Ian Franklin Collection


O Senhor Gonçalves gosta de imaginar que, em tempos, um seu antepassado se passeou com naturalidade pelos mais faustosos palácios e castelos do mundo.
Depois acorda.

Z
in postal
Dezembro 2012

20 de janeiro de 2013

"Albert Camus, écrivain" de Henri Cartier-Bresson


La bêtise insiste toujours.

Albert Camus
Dezembro 2010

23 de dezembro de 2012

Sala B, Jardim de Infância S. João 2


Silent night
Holly night
All is calm
All is wright.

Dezembro 2012

17 de dezembro de 2012


Hundretwasser


En la bicicleta
no va un ciclista.
Va una VIDA.

Giant Center Pacheco
Novembro 2012


Para a minha filha Rosa.

25 de novembro de 2012

"Plaque Emaillée : LIP" de Emaillerie Edmond Jean


Ontem?
Ontem foram todos os dias
desde o dia em que nasci.

Manuel Rui
Março 2002

18 de novembro de 2012

"Olhos nos olhos" fotografia de António-Henrique Silva


A felicidade é abstracta
mas a tristeza tem uma fisionomia específica.

Menez
Março 1999

14 de novembro de 2012


"Murnau - Baume am Havenweg" de Gabrile Munter 


No Nos Moveran

sube a nacer conmigo, hermano.
Dame la mano desde la profunda zona de tu dolor diseminado
no volverás del fondo de las rocas
no volverás del tiempo subterráneo
no volverá tu voz endurecida
no volverán tus ojos taladrados
yo vengo a hablar por vuestra boca muerta
a través de la tierra juntad todos los silenciosos labios derramados

y desde el fondo habladme toda esta larga noche
como si yo estuviera con vosotros anclado
contadme todo, cadena a cadena, eslabón a eslabón, y paso a paso
afilad los cuchillos que guardasteis
ponedlos en mi pecho y en mi mano
como un río de rayos amarillos
como un río de tigres enterrados
y dejadme llorar horas, días, años, edades ciegas, siglos estelares

dadme el silencio, el agua, la esperanza,
dadme la lucha, el hierro, los volcanes
apegadme los cuerpos como imanes
acudid a mis venas y a mi boca
hablad por mis palabras y mi sangre

no, no, no nos moverán! no, no nos moverán!
como un árbol firme junto al río
no nos moverán.

unidos en la lucha, no nos moverán
unidos en la lucha, no nos moverán
como un árbol firme junto al río
no nos moverán
no, no, no nos moverán! no, no, no nos moverán!
como un árbol firme junto al río
no nos moverán

unidos en la huelga, no, no, no nos moverán!
unidos en la huelga, no, no, no nos moverán!
como un árbol firme junto al río

Pablo Neruda
Cantado por Joan Baez
1978

5 de novembro de 2012


"Little Fairy Cakes" de Howard Shooter


Dans ma preofession (publicitaire), personne ne souhaite votre bonheur, parce que les gens heureux ne consomment pas.

Frederic Bredbeder
in " 99 fr"
Fevereiro 2002

1 de novembro de 2012


"Fim de Tarde" de Júlio Resende           


A noite cai num ápice.

Júlio Resende
Novembro 2012

20 de outubro de 2012


"Les mains croisées" de Pablo Picasso


Je pense à l'homme à la dérive, sans amis dans la ville endormie où les télèphones sont muets, il acostait aux Halles, un peu de chance, il y trouverait de quoi vivre, un peu de chance encore, il était adopté.

Doisneau
in Exposição na Câmara de Paris
Abril 2012

13 de outubro de 2012


"Deux personages sur fond gris" de Gaston Chaissac   



(...) Tudo isto determina as personagens que para mim são vivas e reais.
Sentam-se comigo no quarto, caminham comigo, falam comigo - o meu trabalho é percebê-las. Estão ali, existem pedem-me que as transporte para dentro da página.
É uma estranha, estranha sensação.
Por vezes sinto que elas olham por cima do meu ombro enquanto escrevo e abanam as mãos dizendo: Ele não sabe o que faz, não me compreende de todo.

Paul Auster
in entrevista ao "Expresso"
Setembro 2012

18 de julho de 2012

"Homenagem a Monet", SalaB, Jardim de Infância S. João 2



Painel realizado por todas as crianças.
Cada um fez o seu e o resultado é este.
Este painel pode ser visto no site oficial do "Musée de l'Orangerie".
Baseado numa ideia do livro "Tesouros de Arte".

Este postal é diferente.

7 de junho de 2012

"Série des Nymphéas", Reflets verts (détail) de Claude Monet



... les nerfs surmenés par le travail se seraient défendus là, selon l'exemple reposant de ces eaux stagnantes et, à qui l'êut habitée, cette pièce aurait offert l'asile d'une méditation paisible au centre d'un aquarium fleuri...

Claude Monet
in "L'Orangerie"
Abril 2012







26 de maio de 2012

"Maria" de Helene Schjerfbbeck                              


O verbo ler não suporta o imperativo.
É uma aversão que compartilha com outros: o verbo "amar"...o verbo "sonhar"...

Daniel Pennac
in "Como um romance"
Maio 1993

Para o blog "O Silêncio dos Livros"

19 de maio de 2012

"Marine" de Alexandre Harrison



Si on ouvrait les gens, on trouverait des paysages.
Moi, si on m'ouvrait, on trouverait des plages.

Agnés Varda
Abril 2012

12 de maio de 2012

"Femme endormie" de Pablo Picasso



Quase sempre estava de bom humor.O resto do tempo dormia.

                              Boris Vian
                              Abril 2011

20 de abril de 2012

"La triste fin du petit enfant huître et autres histoires" de Tim Burton


J'aime les personnages extremes
mais qui n'ont pas conscience de son étrangeté.

Tim Burton
in exposição na "Cinématheque Française"
Abril 2012

15 de abril de 2012

"Le soleil aux mimosas" de Marc Chagall


Disseram "Sim"
e foram felizes para sempre.
Março 2012

Para a Mimi e o Kikas.

3 de abril de 2012

Pintura de Coronado



Je préfère vivre en optimiste et me tromper,
que vivre en pessimiste et avoir toujours raison.

Anónimo
in "Le Club des Incorrigibles Optimistes"
de Jean Michel Galassia
Dezembro 2010

15 de março de 2012

"Flor Rosa" de Júlio Resende


O ar morno
fecham-se as pálpebras...

Júlio Resende
Fevereiro 2012


7 de março de 2012

"Korntal" de Júlio Resende



A casa de Marta, no espaço de um rés-do-chão confundindo-se com um pátio ajardinado, era como uma pintura dela mesmo: o requinte levado ao extremo, numa rara coerência na combinação "dos contrários". Mas, para além de tudo isso, o poder evocador de uma indefinível e como que surrealizante atmosfera. Compreendia-se que o Daniel distinguisse, desde tenra idade, um Mozart de um Vivaldi...

Júlio Resende
in "Autobiografia"
Fevereiro 2012

4 de março de 2012


"Maternidade" de Pablo Picasso

4 Marzo 1943

Dice che era un bell'uomo e veniva,
veniva dal mare
parlava un'altra lingua,
pero' sapeva amare
e quel giorno lui prese a mia madre
sopra un bel prato
l'ora piu' dolce prima di essere ammazzato

Cosi' lei resto' sola nella stanza,
la stanza sul porto
con l'unico vestito ogni giorno piu' corto
e benche' non sapesse il nome
e neppure il paese
mi aspetto' come un dono d'amore fin dal primo mese

Compiva 16 anni quel giorno la mia mamma
le strofe di taverna,
le canto' a ninna nanna
e stringendomi al petto che sapeva,
sapeva di mare
giocava a fare la donna con il bimbo da fasciare.

E forse fu per gioco o forse per amore
che mi volle chiamare come nostro Signore
Della sua breve vita e' il ricordo piu' grosso
e' tutto in questo nome
che io mi porto addosso

E ancora adesso che gioco a carte
e bevo vino
per la gente del porto
mi chiamo Gesu' bambino
e ancora adesso che gioco a carte
e bevo vino
per la gente del porto
mi chiamo Gesu' bambino
e ancora adesso che gioco a carte
e bevo vino
per la gente del porto
mi chiamo Gesu' Bambino

Lucio Dalla

Ouvir aqui

A versão original.

A Lucio Dalla, onde quer que esteja, que também nasceu a 4 de Março e que me ofereceu esta bellíssima prenda.

A meus Pais, onde quer que estejam.

E à Luísa Lampreia, que me enviou este postal quando nasceu a minha filha Rosa.