28 de dezembro de 2007

fotografia de Aamir Quresh/AFP in Público


Não vivi até a idade que tenho para me deixar intimidar por terroristas suicidas.
O futuro do Paquistão deveria ser decidido por eleições livres e honradas.
Os extremistas usarão todos os meios sangrentos à disposição para atacar e impedir a causa da democracia. Os extremistas prosperam em uma ditadura. Sabem que a moderação e a democracia marcarão o seu fim. Nada os fará retroceder no intuito de destrui-las.
Os extremistas sabem que a democracia pode salvar o Paquistão das políticas de terror preconizadas pelos senhores da Guerra. Tentam tomar o controle do estado atacando e desafiando as forças da ordem.

Mas não poderão assassinar os sonhos,
não poderão assassinar as esperanças que os paquistaneses pobres têm na democracia e num futuro melhor.

Benazir Bhutto
in "Os assassinos não vencerão"
Jornal "Le Figaro"
Outubro 2007

24 de dezembro de 2007

sobre pintura de Max Blitt


É Natal.
rosário

19 de dezembro de 2007

Catálogo das Edições Terramar 2007


Avida é um país estrangeiro.

Jack Kerouac
in Público
Outubro 2007

12 de dezembro de 2007

pintura de Botero


O senhor Gonçalves lamenta não ter feito carreira no cinema.
Em vez disso, é espectador da sua própria vida e figurante de vidas alheias.

Senhor Gonçalves
in " uma por rolo" blogspot.com
Novembro 2007

1 de dezembro de 2007



Sempre,
rosário
Novembro 2007


Sempre convivi com a Gracinda pois, quando nasci, ela já lá estava na casa da minha avó.
Acho que comecei a amá-la no preciso momento em que me pegou ao colo pela primeira vez.
A casa da avó era um Mundo e a Gracinda ocupava grande parte dele, com o seu carinho, a sua paciência, a sua generosidade, a sua cumplicidade, a sua dedicação total.
E tinha, para além de nós, uma extrema devoção à sua Nossa Senhora.
Quantas vezes a ouvi rezar o terço enquanto cozinhava e fui com ela à igreja cumprir promessas que ela fazia por mim, quando algo corria menos bem.
Excelente cozinheira, guardo comigo uma infinita memória de sabores, pessoais e intransmissíveis.
Tinha porém um enorme defeito, quase imperdoável: gostava mais do meu irmão do que de todos nós. E um dia, no ímpeto da minha incontrolável revolta dos meus 4 anos, dirigi-me a ela e fui dura:
- Ai gostas mais do meu irmão? Pois vou dizer à avó que te mande embora.
A minha avó morreu, felizmente muito tarde, e a Gracinda regressa à Lousã, depois de 50 anos connosco.
Primeiro foi para um sistema de lar/apartamento e, apesar de muito apreensiva com o regresso depois de tantos anos de ausência, rapidamente começou a desfrutar da nova vida comentando inúmeras vezes que estava a ter "uma velhice regalada".
Sempre bem disposta, comentou comigo um passeio que havia dado:
- Olhe menina, era umas estradas tão direitinhas, tão alcatroadinhas...
Era assim a Gracinda.
Ultimamente já vivia no lar, pois as pernas e a memória deixaram-na mais dependente.
No ano passado, quando a visitei, tive um leve choque ao aperceber-me que ela já não me conhecia, e às minhas primeiras insistências de "não te lembras de mim? Então quem sou eu?". ela responde com a sua enorme educação e elegância:
- Tenha paciência.
Passei com ela uma tarde inesquecível.
A Gracinda tinha esquecido os 50 anos de Lisboa, excepto numa coisa que repetia de quando em vez:
- Nunca tirei um tostão.
Mostrei-lhe fotografias da família, ao que ela se limitou a comentar:
- São todos muito bonitos.
Manifestei-lhe o meu afecto e ela olhava-me de esguelha sorrindo, sem perceber porque é que uma desconhecida lhe dava tantos beijos e abraços.
No final da tarde e à despedida, diz-me:
- A senhora vai voltar a visitar-me?
- Claro que sim- respondi.
Voltei lá este ano. Senti que era a despedida.
- Fiquei mais contente do que eu pensei...- disse.
- Tenho tido tantos beijinhos da menina...- disse.
- Lindinha...- disse.
Esqueceu-se de nós mas nunca se esqueceu da sua Nossa Senhora e quem a visitava, encontrava-a muitas vezes sozinha na capela a rezar.
A Gracinda morreu esta semana e se há coisa de que eu não tenho dúvidas é que a sua Nossa Senhora ansiava há muito por a abraçar.

Sempre,
rosário






30 de novembro de 2007



Acerca de "Esplendor na Relva"

De amor e só de amor se fala nesta que é a mais terna e triste das películas românticas.
A dádiva merece retribuição e eis um filme para amar sem conta nem medida.

in DNA
Março 2001

25 de novembro de 2007

pintura de ZaoWou-Ki


Espero-te há muito
e quando chegares
não me acordes
deixa-me sonhar!

A.Á.M.
Setembro 2005


Sobre um mesmo fundo, palavras do meu Tio, pela voz de meu Pai.

15 de novembro de 2007

pintura de Gustav Klimt


E sabei,
segundo o amor tiverdes
tereis o entendimento de meus versos.

Luís de Camões
Junho 1996

11 de novembro de 2007

"Primavera" de Alexandre Bastos


(....) a música fazia uma festa
para a gente saber como é a alegria.

António Alçada Baptista
in "O Riso de Deus"
Fevereiro 1994

Hoje é para a Zazu.

27 de outubro de 2007

Parque Nacional da Ria Formosa


Quanto mais um homem se eleva
mais pequeno surge aos olhos daqueles que não sabem voar.

Nietzsche
Outubro 2007

21 de outubro de 2007

"Bleu de Ciel" de Wassily Kandinsky


Tous les aspects de notre vie devraient nous apporter joie et paix,
qu'il s'agisse de notre travail ou des vêtements que nous portons.

David Kessler
in "Leçons de Vivre"
Setembro 2007

16 de outubro de 2007


As nossas palavras
não conhecem o ciclo das estações
por isso estão sempre em flor.

Agosto 1980


Esta frase tem dono. Quem souber o seu autor, agradecia que me informasse.

5 de outubro de 2007

fotografia de Nacho Doce, Reuters

O gesto, um gesto muito precioso era a sua palavra.

Teresa Ricou
in "Público"
Setembro 2007

Entra-nos em casa com pezinhos de lã de ladrão e o à-vontade terrível do luar.

Jean Costeau
in "Expresso"
Setembro 2007

A minha arte é poética, profundamente humana, traz consigo uma mensagem que tem raízes populares e, como toda a arte satírica e trágica, é uma arte de vanguarda.

Marcel Marceau
in "Expresso"
Setembro 2007


Os meus pais levaram-me a ver Marcel Marceau.
Eu levei as minhas filhas a verem Marcel Marceau.
Tenho sorte.

26 de setembro de 2007

"Presente e passato" de Piero Dorazzio


Se te derem papel com linhas
escreve do outro lado.

Juan Ramón Jimenez
Agosto 2003

21 de setembro de 2007

fotografia de Tiago Costa

Não procuro, encontro.

Pablo Picasso


Não procuro, encontro.
Quem procura alguma coisa, já a encontrou de alguma maneira.

António Ramos Rosa
in entrevista DNA
Julho 1998




É neste emaranhado de linhas e cores que encontro a cor que preciso. A grande maioria dos postais publicados foi feita com estes restos de linhas provenientes de outros "entreténs" e que guardo desde sempre. Muitas vezes têm sido grande ajuda, pois quando olho de relance encontro uma combinação de tons que "tem tudo a ver" com o que estou a fazer nesse momento.

16 de setembro de 2007

pintura de Alexandre Bastos


Each afternoon find a corner of Mamma's bookshore and sit there and read in the semidarkness. Search the rooms of shelves. Sniff the lovely smell of paper and printer's ink.
Books have allways been living things to me. Some of my encounters with new authors have change my life a little. When I have been perplexed, looking for something I could not define to myself, a certain book has turned up, approched me as a friend would. And bethen it's covers, carried the questions and the answers I was looking for.

Liv Ullman in "Changing"
1979


Foi com passagens deste livro que iniciei a minha recolha de textos.

9 de setembro de 2007



Ainda hoje,
se pudesse
saltar, saltava.

Maria do Céu Esteves
ex-enfermeira-paraquedista
in "Diário de Notícias"
Agosto 2007

4 de setembro de 2007


Os Açores são uma síntese, um segredo, um sinal, um reino e um exílio.

José Manuel dos Santos


Quem disse que o Paraíso não mora aqui?
Tens a Terra em toda a sua força telúrica debaixo dos pés e o verde que nada nos teus olhos. Crateras pequenas de onde nasce uma alegria imensa...
Ah! E estás sempre à espera de ver saltar um fauno por entre o denso arvoredo...

Cristina Sopas

Agosto 2007

27 de agosto de 2007

Segesta, Sicilia
fotografia de Walter Leonardi



Dos poetas, dos escritores, ficam os livros editados, as palavras escritas.
Dos actores fica a memória, mas essa morre com as pessoas.

Mário Viegas
Junho 1996

20 de agosto de 2007



O furasteri ca lu munnu giri, 'ncerca di cosi rari e di biddizzi, veni in Sicilia ca li gran ricchizzi lu Signuruzzu li criau ca.

Provérbio siciliano
Agosto 2007

Arrivederci!

18 de agosto de 2007

fotografia de Tiago Costa


Estes são os livros que contêm as frases.
Comecei em 1979 e nunca mais parei.

6 de agosto de 2007



O tempo foi inventado
para dele nos servirmos em abundância.

Eduardo Paz Barroso
in Bienal de Vila Nova de Cerveira
Agosto 1988

Até logo!

30 de julho de 2007



A Alice não era só das mulheres mais bonitas do meu tempo: era sobretudo, uma pessoa que vivia com o mundo - com as pessoas, com as coisas, com os animais - uma relação puramente afectuosa como se, em vez de andar na vida em bicos dos pés, andasse por aí em bicos-do-coração.

António Alçada Baptista

26 de julho de 2007

pintura de Jehad Al Ameri


As relações de passagem podem ser fortíssimas
solta-nos o instinto de agarrar o instante.

Henrique Schreck
Julho 2003

23 de julho de 2007

ilustração de Rogério Ribeiro


Uma das pessoas vai riscando uns traços enigmáticos que tanto podem ser um retrato como uma declaração de amor ou a palavra que faltava inventar.

José Saramago
in "1993"

16 de julho de 2007


Templo Xintoísta


Aqui aprende a pedra
a ser igual à flor

Aqui a flor se adestra
a ser igual ao pássaro

E nós a ser por dentro
pássaro pedra flor

noutra onda do Tempo
noutra curva do espaço.


David Mourão Ferreira
Setembro 2002


Para o pequeno David no dia em que nasceu.


Bordei este postal há uns anos e mais uma vez não sei o nome do autor. As minhas desculpas.

15 de julho de 2007

fotografia de Gérard Castello Lopes


Uma das componentes fundamentais da vibração de Barcelona, tem a ver com a arte na rua.
Faria uma t-shirt que mostrava Lisboa como capital da arte na rua da europa, do mundo ou do universo.
E para isso, pura e simplesmente, se eu fosse Presidente da Câmara de Lisboa, criava um Concurso Internacional, alugando os espaços que vão do Marquês até ao rio para artistas de rua e fazia um concurso internacional para artistas de rua, para o mundo inteiro e depois eles explorariam esses espaços.
A t-shirt mostraria toda a vibração da arte da rua na cidade de Lisboa.

António Câmara
in "Um Dia Por Lisboa"
Junho 2007

11 de julho de 2007

"Le Cirque" de Marc Chagall


Esta noite arriscaremos, como é nosso costume, muita coisa.Neste lugar, que é do Circo, seremos também leões e tigres, palhaços pobres e ricos, acrobatas e mágicos. E sobretudo equilibristas. Caminharemos sobre o fio tenso do improviso, com infinito cuidado e também com ousadia porque sabemos que o fio é sólido, que as piruetas são inevitáveis, e que até os passos em falso fazem parte do nosso dia-a-dia.

Sérgio Godinho
in programa do Concerto no Coliseu
Junho 1983

7 de julho de 2007



Ficarei até o vento mudar.

Mary Poppins
in DNA, Março 2001

4 de julho de 2007

pintura de Ton Schulten



Aos que deram uma espreitadela nestes postais: à Rosa, que instalou o blog como prenda do "Dia da Mãe", à Joana e aos meus Amigos que apoiaram, divulgaram e expressam o que lhes vai na alma, aos anónimos que deixaram os seus comentários nos postais, e a J., a causadora desta iniciativa e a única deste grande grupo que não deu uma espreitadela, por ainda os estar a receber,

Muito Obrigada!

Por todos vós, vou continuar sem timing, sem rumo.

3 de julho de 2007



Este foi o primeiro, entregue em mão, sem ir por correio ou sujeito aos caprichos dos carteiros.
Este anunciava o que veio a seguir.
Este tem outra técnica, dificílima para quem não consegue sequer, fazer um risco direito com uma régua.
Este é o fim de uma temporada.

2 de julho de 2007



Aqui tens meu coração
E a chabe pró abrir
Num tenho mais nada que dar
Nem tu mais que me pedir.

in pano dos namorados
2005


Foi o primeiro dos 50 que fiz para J. É o último desta série. Dirão que só estão 49 e é verdade. Amanhã saberão porquê.

1 de julho de 2007



Quero ser teu amigo.
Para todo o sempre, sem rupturas nem discórdias.
Quando as montanhas forem arrasadas,
E os rios estiverem completamente secos,
Quando trovejar e relampejar no Verão,
Quando o céu e a terra se fundirem

só então me separarei de ti.

Juramento de Amizade Chinês, séc.I da nossa era.
Agosto 2001



Para além de J., este é também para vocês, meus Amigos.

30 de junho de 2007



Quem seria eu se não fosses tu?

29 de junho de 2007

pintura de Jorge Humberto


Aquele
que beija a alegria
enquanto paira,
lega um eterno pôr-do-sol.

Bernini
ao receber o Oscar de melhor filme
"A Vida é Bela", Março 1999

28 de junho de 2007



O riso é a distância
mais curta
entre duas pessoas.

Anónimo
in Noticiário
Junho 2006

27 de junho de 2007

fotografia de Gérard Castello Lopes


E ninguém repara
que não trago os olhos de ontem.

José Gomes Ferreira
Julho 2002

26 de junho de 2007

"Fabula rasa" pintura de Piero Dorazzio


Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda
o mais rigoroso amor.

Alexandre O'Neill
in autocarros da CARRIS
Janeiro 2002



Este postal foi um grande desafio. Às vezes é dificil encontrar uma imagem ou fotografia que ilustre uma frase. Quando se trata de "olhar", a dificuldade é maior. Em que papel, em que fotografia se pode bordar um olhar " onde vigora o mais rigoroso amor"?

25 de junho de 2007

pintura de Zao Wou-Ki


E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

Miguel Sousa Tavares
Setembro 2005

24 de junho de 2007

pintura de Alexandre Bastos


A menina não se esqueça de que os homens são muito básicos.
São básicos mesmo.
Por isso é que eu gosto tanto de ser lésbico.

António Alçada Baptista

23 de junho de 2007

fotografia de Alessandra Meniconzi Vale de Yuchung Zanskar


e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

22 de junho de 2007



Não espere de mim
Nada mais que a paixão.
Não espere nada de mais do meu coração.

Que bate, rebate e grita
Gane, chora e se agita
Sambando nas cordas bambas
De uma viola vadia, vadia.

Não espere encontrar numa canção
Nada além de um sonho,
Nada além de uma ilusão.
Talvez quem sabe
A verdade

A infinita vontade
De arrancar
De dentro da noite
A barra clara do dia.

Edberto Gismonti
Junho 1980

21 de junho de 2007




como o Verão
subitamente
se faz água no meu peito
e a noite se faz barco
e minha mão marinheiro.

Eugénio de Andrade
Maio 1979

20 de junho de 2007



Antes teor que teorema
vê lá se além de poeta
és tu poema.

Agostinho da Silva

19 de junho de 2007



Dança e respira,
respira e dança a vida.

António Ramos Rosa

18 de junho de 2007



Canção de Júbilo

O meu amado maneja o seu sexo
como um beija-flor
equilibrado na delicada orla.

Que prazer ser uma planta de mel
e abrir-me.

Lenore Kandel
Fevereiro 1981

17 de junho de 2007

pintura de Alexandre Bastos


Saber-te rainha nas árvores da noite.

António Maria Lisboa

16 de junho de 2007



Para que lado se há-de virar o girassol quando cercado por milhares de sóis?

Provérbio Zen
Julho 2002

uma pausa para denunciar uma injustiça

Luísa Maria Lobão da Veiga Moniz, professora do quadro de Escola da escola Luiza Neto Jorge do Agrupamento de escolas Damião de Góis, encontra-se sem trabalhar desde o dia 30 de Outubro de 2006 devido a comportamentos de abuso de poder e prepotência por parte da Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento, com total cobertura por parte da DREL, silêncio do Gabinete da Ministra de Educação e falta de eficácia da Inspecção Geral de Educação (IGE).
A professora tem sido alvo de discriminação laboral pelo facto de ter estado gravemente doente a partir de Novembro de 2005 o que a levou a submeter-se a uma cirurgia de risco em Janeiro de 2006, a qual foi coroada de êxito. Após a operação entrou num período de recuperação o que a obrigou a faltar à Escola da qual é coordenadora eleita, (a última vez, por unanimidade, no ano lectivo 2005/06 por um período de três anos).
Apresentou-se ao serviço no dia 1 de Setembro de 2006, ainda um pouco fraca fisicamente, mas com imensa vontade de trabalhar na “sua” escola.
A professora está nesta escola desde 1986, sendo eleita directora a partir de 1996/7, porque assim o entendia ao candidatar-se e porque o corpo docente e não docente lhe reconhecia capacidades para bem gerir a escola em nome do sucesso de todos os alunos e porque cargos desta natureza nunca ninguém os quer porque requerem muito trabalho, estudo, empenho e responsabilidade. Capacidades essas reconhecidas por escrito a 25 de Setembro de 2006 pela Presidente do Conselho Executivo, Dr.ª Teresa Pedro.
A professora cumpriu com todas as suas obrigações e tarefas até ao dia 21 de Setembro de 2006. Comunicou à Drª Teresa Pedro que ia ao médico e que precisava de uns dias para descansar uma vez que o ano lectivo já estava a decorrer com normalidade e ela se sentia um pouco cansada, como seria natural com qualquer coordenadora nas mesmas circunstâncias.
É de referir que a professora, quando soube que estava doente (Novembro de 2005), não só comunicou ao corpo docente e não docente da sua escola a sua situação relativamente à sua saúde como informou as escolas com quem trabalhava e o Conselho Executivo do Agrupamento. Em todos os casos fê-lo pessoalmente e da parte de todos recebeu afecto, carinho e esperança no tratamento. A professora entendeu comunicar pessoalmente, porque exercia um cargo que não se compadecia com uma ausência sem explicação, revelando ética profissional e lealdade com quem trabalhava.
No dia 21 de Setembro entregou o atestado médico à Drª Teresa Pedro que lhe disse que enquanto ela estivesse de atestado um professor da escola, Manuel Bento, serviria de elo de ligação entre esta e o agrupamento. Acontece, porém, que à hora do jantar a Drª Teresa Pedro fez um telefonema para a professora Luísa Moniz para lhe comunicar que tinha sido substituída por um ano inteiro por esse professor. Mais tarde veio a saber que também o professor Manuel Bento assim o quis e o impôs, tento embora a obrigação de saber da ilegalidade que presidia a toda esta actuação. Apesar de precisar de descansar a professora Luísa Moniz dirigiu uma carta ao Director Regional de Educação de Lisboa, solicitando que averiguasse o que se passava, pois foi eleita e não nomeada tratando-se, assim, de uma ilegalidade.
A senhora Directora do Gabinete dos Recursos Humanos enviou, após encontro com a professora Luísa Moniz, um ofício repondo a legalidade sem no entanto chamar à responsabilidade os autores do acto ilegal.
Quando a professora Luísa Moniz se apresenta novamente na escola para trabalhar a 27 de Outubro pediu ao corpo docente para ir às13 horas à sala dos professores pois gostava de os ver e para dizer que já se encontrava ao serviço. Como é evidente, esta ida à sala dos professores não foi nem uma reunião nem teve carácter obrigatório, iria quem quisesse, e foram todos com excepção de duas professoras.
Nesse mesmo dia convocou, por escrito e com 48 horas de antecedência como a lei prevê, para o dia 31 de Outubro pela 18h 30m uma reunião extraordinária para todo o corpo docente e não docente da escola que tinha como ponto único o esclarecimento da substituição da coordenadora rectificada pela DREL. Um elemento do C. E. representante do 1º ciclo que se encontrava na escola, a professora Elza Morais, levou uma cópia da convocatória para a Drª Teresa Pedro. Dia 27 foi uma sexta feira e o dia escolar decorreu com normalidade. Na segunda feira dia 30 de Outubro estava a professora Luísa Moniz no pleno exercício das suas funções quando recebeu em mão um ofício a comunicar que tinha sido pedida pela Drª Teresa Pedro uma Junta Médica psiquiátrica e que a professora Luísa Moniz estava impedida de se apresentar em qualquer escola do Agrupamento.
A reunião então convocada para o dia 31 foi desconvocada pela presidente do C. Executivo Drª Teresa Pedro.
Não se conformando questionou a Drª Teresa Pedro porque motivo tinha tomado esta decisão, a resposta foi que tinha sido pressionada pelo Gabinete de Autonomia que depende dos Recursos Humanos. Ora esta Junta Médica (artº 39 do Dec. Lei 100/99) só pode ser pedida quando o funcionário apresenta perturbações psíquicas que impedem o normal funcionamento do local de trabalho.
A professora de imediato pede que lhe seja facultado o despacho que a Drª Teresa Pedro teria feito para solicitar a J. Médica ao abrigo do artº 39 do Dec. Lei 100/99 já que este também obriga a que os factos sejam fundamentados de forma clara e precisa.
Estamos em Novembro e a dita fundamentação só foi mandada em Dezembro de 2006.
Toda esta fundamentação em nada corresponde aos requisitos do artº39, e toda ela foi feita com base em informações dadas pelo menos pela professora que não compareceu na sala das reuniões, Fátima Lopes e pela professora Teresa Valadas. Ambas foram testemunhas da Drª Teresa Pedro no Tribunal Administrativo.
Mais uma vez não se conformando com este abuso de poder, prepotência, má fé e falta de lealdade a professora Luísa Moniz, através do seu advogado, submeteu o caso, ao Tribunal Administrativo solicitando uma Providência Cautelar a qual foi concedia antes da J. Médica (12 de Janeiro 2007) e ficou a aguardar decisão do tribunal que em Maio suspende a P. Cautelar e neste momento nova J. Médica está marcada para 29 de Junho. Aguarda-se ainda o julgamento da Causa Principal.
A DREL disponibilizou uma jurista, Drª Manuela Faria, para defender a Drª Teresa Pedro, o que a lei geral não permite, no entanto, esta designação foi feita pelo Director Regional de Lisboa e reiterada pelo Secretário de Estado, Dr. Valter Lemos.
Convém referir que a professora Luísa Moniz recorreu e solicitou averiguação deste processo pedindo um recurso hierárquico à DREL, comunicando o sucedido ao Gabinete da Ministra e à Inspecção Geral de Educação. Da DREL e do Gabinete da Ministra nunca obteve resposta apenas a IGE lhe mandou um ofício comunicando que tinha remetido o caso para a DREL.
Mais uma vez inconformada com esta situação de abuso de poder, anuência da DREL, silêncio do Gabinete da Ministra, e ineficácia da IGE decidiu tornar público este caso, pois entende que não se podem silenciar situações como esta. Vivemos em democracia e não num estado de autoritarismo, e se o vivemos temos que lutar pelos nossos direitos cumprindo com os nossos deveres.
O tempo passa, a justiça fica por repor e a difamação e atentado à dignidade pessoal e profissional da professora Luísa Moniz continuam impunemente perante o silêncio de quem de direito!!!
Para além do abuso de poder estamos também perante um caso de total falta de sentimentos por parte destas “senhoras professoras”. Quem exclui de forma tão fria alguém que esteve doente e que o comunicou porque acreditava nos colegas não tem perfil para exercer cargos de chefia nem ser professor. Acresce a tudo isto que a professora Fátima Lopes não satisfeita ainda com as mentiras e difamações teve a ousadia, movida por uma total falta de sensibilidade e reconhecimento dos mais básicos valores humanos, teve a ousadia de imitar, no corredor de escola, a fragilidade física da professora Luísa Moniz, nas costas desta.
É esta a professora que a Presidente do Conselho Executivo, Drª Teresa Pedro e a Vice-Presidente, professora Elza Morais, querem como coordenadora desta escola? São estes alguns dos professores que têm direito à categoria de professor titular! São estes procedimentos que estão a ser silenciados, pois ninguém ouve a professora Luísa Moniz alvo desta discriminação laboral, adivinhando-se os motivos pouco sérios desta prepotência…

Inteiramente solidária com a Professora Luísa Moniz.


Enquanto formos capazes de nos indignar e comover, tenho a certeza de que resistiremos.
A. Lobo Antunes

15 de junho de 2007

"Serpente" de Piero Dorazzio


La joie annonce toujours que la vie réussi, qu'elle a gagné du terrain, qu'elle a remporté une victoire: toute grande joie a un accent triomphal.(...) partout où il y a joie, il y a création. Plus riche est la création, plus profonde est la joie.


Henri Bergson

in prefácio do catálogo de Piero Dorazzio
Fevereiro 1998


Pela primeira vez dei um erro de ortografia.
Errata: annonce em vez de announce.
Acho que não tenho perdão.

14 de junho de 2007


Sou uma salada mal-feita entre o sonho e a realidade, entre medo e vontade.
Acredito na energia e no movimento, num crescimento contínuo perturbado por uma dúvida constante.
Acredito no amor de partilhar e rir baixinho das experiências da experiência que é a vida, e gosto de olhar no fundo dos olhos dos outros e de achar que conseguimos mudar qualquer coisa e perceber melhor o real, numa adaptação constante deste absurdo. De regras enormes, estradas que não quero seguir e que existem por todos os lados, procuro a minha, sei que existe, porque às vezes nas aulas de teatro estamos lá em dias quentinhos rodeados de olhos conhecidos.

Rita Wengorovius
in "Será que se ensina a sonhar?"
Dezembro 2005