21 de maio de 2011

"Deux Masques. La Tomate" de Henri Matisse



A criatividade requer coragem.
Henri Matisse
Maio 2011



As minhas desculpas pelo meu erro.
Engano-me sempre a escrever "criatividade".

15 de maio de 2011

"Filette de Polynésie" de Sylvain Grandadan


Viva as gargalhadas que partilhámos,
que continuamos a partilhar e que partilharemos até aos 120 anos.

Postal de L.L.
Março 2010


Para L.L., que desde1979 me enche de postais.

8 de maio de 2011

" Rocce a Belle-Ile" de Claude Monet

Na minha língua,
vê-se o mar.

Vergílio Ferreira

3 de maio de 2011



Meu doce amigo, levar-te-ei aos países do sol, onde o vento nos reconhece a voz no sussurro dos bosques, mostrar-te-ei as nascentes de luz por entre os musgos que nunca nos esqueceram...
Levaremos na bagagem sómente os objectos inúteis, que poderemos trocar, dar ou esquecer.

Al Berto
1980

29 de abril de 2011

"Les Amoureux au-dessus de la ville" de Marc Chagall


Estremecemos unidos
sob a carícia do ar.

Egito Gonçalves
in "Mulher"

25 de abril de 2011

pausa para uma história verdadeira

Imagem de Luísa Mota
- A gente não se lembra de quem quer bem à gente?-
...
- Vocês não me saem do sentido-

Mavilde
telefonema
Abril 2011


“Estou muito contente com o 25 de Abril”
No dia em que a brigada das campanhas de alfabetização promovidas pela Pró-UNEP (União Nacional dos Estudantes Portugueses) chegou ao lugar de Sanfins, no distrito de Braga, Mavilde teve um relampejo de esperança e acreditou que por fim a libertação estava a passar por ali.

“São vocês que vêm ensinar as pessoas a ler? É que eu quero, porque não sabia ver as horas e um dia pus um relógio à minha frente e não saí de lá sem saber ver as horas. Agora quero aprender a ler!”. Rosário Melo, uma jovem estudante que, à semelhança de muitos outros, integrou as campanhas de alfabetização durante as férias do Verão de 1974, jamais esquecerá a abordagem daquela mulher analfabeta do lugar de Sanfins, com quem almoça quase todos os anos, desde há dez, no dia 25 de Abril.

“Pus-me a pé a umas oito horas e diziam que em Lisboa tinha havido por lá uma revolução”, recorda Mavilde no seu modo particular de rememorar os tempos idos. Mas em lugar de Sanfins não se passou nada, como se essa tal revolução fosse mesmo apenas e somente uma coisa vivida na distante capital. Até ao mês de Agosto, quando verdadeiramente tudo mudou. “Vieram dizer-me que andava um grupo de estudantes de Lisboa que ia ensinar o que eram os partidos e a ler e a escrever. Perguntaram-me se eu queria e eu disse que sim. Passados uns dias, começaram a dizer: ‘não vamos que são comunistas, não vamos que são comunistas’ e deixaram de ir por causa disso. A mim não me interessava que fossem do que fossem. Deram-me a graça de Deus. Queriam que eu deixasse de ir porque tinham medo do que me pudesse acontecer. ‘Não vás, que dou-te uma rasa de grão’ (o equivalente a um alqueire, ou seja, cerca de 16 kg de milho). Tinham medo que eu corresse perigo, mas eu comia aquilo, e depois? Os ricos queriam era que a gente trabalhasse de graça”. Menos saber ajuda a controlar a insubordinação. Mas Mavilde nunca foi mulher de virar as costas à vida, e quando considerou que não continuaria a trabalhar a troco de uma côdea de pão que não chegava para encher, sequer, a boca de um dos filhos, quanto mais dos três, bateu o pé. Bem cara lhe saiu a atitude, que ver os filhos a passar fome é doloroso demais para qualquer mãe.

Ousem lá dizer a esta minhota que no tempo do Salazar é que era bom, que vão ver. Se há quem tenha esquecido a fome que se passava, Mavilde não é certamente uma delas. “Passei muita, muita, fome!” diz constantemente, como uma reafirmação de si mesma, um sublinhado da gratidão que sente por aquilo que possui hoje. Viveu uma fome tão constante e grande que, “quando passava o homem da sardinha a apitar a gaita, eu punha-me a cantar muito alto para os meus filhos não ouvirem e as vizinhas não perceberem que eu não tinha dinheiro para comprar. Passei muita fome”. Em 1965, tinha então 31 anos, viu o marido partir “a monte” para França, com a ajuda de um passador a quem pagaram 14 “contos”. Desse montante que ajudou a reunir nunca recebeu o retorno. Durante quatro anos e quatro meses bem contados por Mavilde, nunca o homem lhe mandou um tostão, e notícias vazias do essencial só muito de quando em vez, umas cartas que pedia “ao povo amigo” lhe lessem. Com um filho de 22 meses e outro de 14, foi trabalhar para as terras “dos ricos” levando-os consigo sempre que possível. “Quando podia, metia ao bolso pãozinho e o que pudesse para dar aos filhos. Uma vizinha, que tinha um marido feiinho mas muito poupado, que também estava em França, ia-me ajudando e quando não podia, fazia a comida e chamava-me para ir lá comer com os meus filhos. O frio que a gente passava…A fome que a gente passava…”. Quando, em 1969, o marido voltou de férias para ver os filhos, instalou uma francesa, que entretanto por lá arranjara, em Aveiro, e a quem dizia ser viúvo. “Ela queria conhecer os filhos e ele dizia-lhe que viviam com uma madrinha”, mas a mentira tem perna curta e Mavilde apercebeu-se da marosca, embora ele fosse à aldeia e dormisse com ela. “Arranjou-me a filha e foi-se embora. Antes, ofereceu-me um fio de ouro, grosso, e comprou outro para a francesa, mas mais fininho”, relata entre gargalhadas, acrescentando que rapidamente o vendeu para comprar comida. Dele, continuou sem notícias.

Quando os jovens estudantes chegaram a Sanfins, os filhos de Mavilde eram os únicos a frequentar a escola. Apesar de localizada a uma distância de cinco quilómetros e de haver, a meio do percurso, um cemitério que lhe causava arrepios, mal a luz do dia surgia, dizia para si mesma: “não tenho medo, não tenho medo” e corria para ir deixar os garotos na escola. Este gosto pela aprendizagem permitiu-lhe não dar importância ao que a vizinhança dizia acerca dos jovens estudantes. “Eles eram muito boas pessoas. Levavam frango e feijão-frade para nós comermos. A minha filha Isilda nunca tinha comido carne”. Rosário Melo recorda que depois de chegarem, concluíram ser melhor falar com o padre para os ajudar a realizarem uma sessão de esclarecimento. Ele acabou por concordar, organizando tudo, também graças à insistência de Mavilde nesse sentido. “Começámos com muita gente. Durante as aulas, oferecíamos chá e biscoitos. Penso que, apesar de tudo, se as coisas correram melhor connosco do que com outras brigadas isso teve a ver com o facto de, enquanto lá estivemos, irmos sempre à missa e nunca especificarmos quais os partidos com que simpatizávamos quando falávamos de política.” Pese embora a debandada originada pelas vozes que os apontavam como comunistas, alguns permaneceram e aprenderam a ler. Mavilde não passou a escrever com desenvoltura, mas consegue ler “quando a letra é de máquina, à mão é que nem sempre. Ainda hoje estive a ler a Bíblia”. “Ela era a única cujos filhos continuavam a estudar para lá da 4ª classe e, no entanto, era a que vivia pior na aldeia por se recusar a trabalhar por apenas dez escudos”, diz Rosário.


Rumo à capital

Em Outubro de 1974, Mavilde ganhou asas. Um dos estudantes propôs-lhe que fosse para a Carvoeira, perto da Ericeira. “O menino Carlinhos, afilhado do Spínola, disse que eu viesse que me arranjava trabalho na terra e os meus filhos podiam ir para a escola. Mas quando vim para a casa do menino Zezinho, também apanhava dos restos para dar aos meus filhos. Acabaram por não me dar as terras para eu trabalhar e puseram-me a fazer limpezas sem me pagarem nada. Como protestava, começaram a dizer que me levavam de volta para a terra. Escrevi à directora da escola onde os meus filhos andavam, em Mafra, a explicar tudo. Ela deu-me logo dois ou três pacotes de leite e tratou de me arranjar casa cá, por 300 escudos”. Empregou-se num asilo, onde recebia 310 escudos. Nas folgas, “ia trabalhar noutras casas, ia para o matadouro, o meu Patricío (o filho do meio) ajudava e o povo também. Até que o comandante da GNR viu que eu era séria e trabalhava muito e quis ajudar-me. Eu era poupada. Na escola davam-me o almoço e eu lavava a loiça e trazia uns papo-secos. Deram-me um fogãozinho a petróleo, começou a espalhar-se que eu estava sozinha com as crianças e todos foram dando uma ajuda. Quando fui para o asilo não havia horários, lavava a roupa de cem velhotes, lavava a loiça, limpava o chão. ‘Dizei as coisas’, dizia eu às outras. Estive 15 anos no asilo, estive 15 anos no inferno, eram cabras…Não os velhinhos, coitadinhos, mas elas. Mas Deus deu-me mais sorte e aos meus filhos que aos filhos delas. Cabras! E à pior de todas, Deus já lhas fez pagar, que teve um acidente e partiu as pernas”. Para Mavilde as coisas são assim mesmo: Deus escreve direito por linhas tortas. Por isso, recompensou todo o seu penar. Colocou-lhe um homem endinheirado no destino. Meteu-se ao caminho, foi ter com o marido a França e disse-lhe: “Isto agora vai ser diferente. Se vens, vens; se não vens quero o divórcio”. Divorciou-se. “Casei-me novamente. Estive casada sete anos e há outros sete que sou viúva”. Quando o segundo marido morreu, a enteada, que nunca visitava o pai, apareceu a reclamar a herança. Mavilde tinha direito a três quartos dos bens, mas prescindiu dos terrenos por o marido sempre lhe ter dito que queria que ficassem para os netos. Apesar do respeito pela vontade do defunto, a enteada queria mais e ela ameaçou dar-lhe uma bofetada se não se calasse e “ela calou-se!”.

Vive bem. É rica. Os homens rondam-lhe a casa, mas ela não é tola. Fá-los penar. Conforme vão passando do lado de fora da sua casa térrea encrostada no quartel da GNR e que mantém pintadinha e confortável, vai comentando os passeantes. Tem um posto de vigia da sua janela. No telhado pôs pombas de porcelana e na fachada amarela andorinhas e um Santo Cristo de Ponta Delgada que descobriu numa loja de ferragens, porque “gosto muito de ter o que os outros não têm”. Às visitas senta-as em cadeiras, para preservar o sofá para os seus companheiros Boby, Ri e Andorinha, três rafeiros minorcas que ladram em uníssono e reclama de seus “companheiros”. Os filhos estão bem. O António é polícia em Loures, “mas não anda na rua, está na esquadra a fazer escritório, está lá dentro a passar os papéis”. O Patrício é médico, “fez Farmácia e ao fim de três anos foi para médico. Passou-as…poupou muito e passou fome. Casou com uma madeirense, também médica” e só lamenta que se tenha divorciado de uma nora de quem até gostava, porque isso a afastou do neto e “de avião ou de barco não vou, ninguém me lá vê”, embora já tenha deixado o filho levar um dos cães até à Madeira. A mais nova, Isilda, fruto da flausinante visita do primeiro marido, “estava a estudar à noite quando conheceu um rapaz que estava na tropa e foi amor à primeira vista. Disse-lhes: ‘se gostam um do outro, namorem lá, mas não façam asneiras’. Não fazem, não…Ela já levava um filho na barriga há três meses. Acabou por casar aos 18 anos, contra a vontade da sogra, que lhas fez passar muitas”. Vive em Santarém, é auxiliar numa escola e o marido largou a tropa para ir para a polícia, pertencendo às Brigadas de Trânsito.

No próximo dia 1 de Maio, Mavilde realizará o seu almoço anual, este ano adiado por uns dias, com a Senhora Rosária, a Senhora João ( Jonita Ralha) e o Senhor João Médico (João Pereira de Almeida), os jovens estudantes que em 1974 lhe ensinaram as letras. Talvez os filhos apareçam. Todos três sabem que este é um almoço muito importante para a mãe, que diz com a persistente alegria que lhe dá força e saúde: “Estou muito contente com o 25 de Abril, mas também com eles (os “senhores”), porque se não fossem eles, a esta hora estava morta!”.
Guiomar Belo Marques
in entrelinhastortas.blogspot.com
Abril 2009

Hoje não almoço em casa.Tínhamos mesmo o destino marcado. Nunca mais nos largámos.
À Mavilde, à Senhora João e ao Senhor João Médico, a nossa história. À Guiomar, o nosso Obrigado por tê-la escrito tão bem.
Foi Deus que vos pôs no meu caminho,
porque Deus, sozinho, por mim não fazia porra nenhuma.
Mavilde
25 de Abril 1999


Nunca é demais lembrar.
Hoje, a minha homenagem a Miguel Portas, a quem gostava de ter contado esta história.

Em 2013, o 25 de Abril é diferente, muito diferente.

22 de abril de 2011

Reprodução de página do livro "A Casa do Silêncio", Bando dos Gambozinos


flor do inverno

O guarda-chuva não guarda
afinal chuva nenhuma.
É um girassol molhado
tomando duche na bruma.

Ele é a flor do Inverno
que crescs na nossa mão,
a que só abre sem sol
e dorme durante o Verão.
Ele é o para-quedas
que sobe do chão para o ar.
Rodopiando no vento
eu vou com ele a voar.

Bando dos Gambozinos
in "A Casa do Silêncio"
Maio 2010

16 de abril de 2011

"Saluto della ballerina" de Edgar Degas

Que aconteceria
se em vez de construirmos a nossa vida,
tivéssemos a loucura ou a sensatez de a dançar?

Anónimo
Julho 81

9 de abril de 2011

Pintor japonês cujo nome assim como o título desta obra, não constam no verso do postal



Nunca te justifiques.
Os amigos não precisam
e os inimigos não acreditam.

Provérbio árabe
Setembro 2005

2 de abril de 2011

"Companhia Postal"


- É um achado!- exclamou a Ana ao sair da Papelaria Banzai,
onde comprou a prenda de aniversário à Mãmã.

in no verso deste postal
Janeiro 2011

26 de março de 2011

"Notte stellata" de Vincent Van Gogh



- Sabe que todos os pugilistas nobres vão para o céu?- perguntou-me ele numa tarde, sentado no molhe.
- Para que céu?- perguntei eu por minha vez.
- Para o céu dos padres não, mas para o outro, o que está cheio de garotas lindas que nunca dizem que não quando lhes vão pedir para dançar. Nesse céu pode-se beber todo o rum que se quiser, e de graça. É nesse céu que o Papá Hemingway recebe todos os que foram nobres.

Luís Sepulveda
in "As Rosas de Atacama"
Janeiro 2011

Tenho saudades.

21 de março de 2011

"Primavera 2011", postal Yema bordado por mim


Apesar de tudo, ela chegou.
Março 2011




11 de março de 2011

Paul Klee


resumo

Não saímos disto, nem daqui,
nem dali, nem doutro sítio qualquer.

Fátima Ribeiro
in loja de trezentos blogspot
Janeiro 2011

27 de fevereiro de 2011

"L' étreinte", détail de "L'Arbre de vie" de Gustav Klimt



A alma do amante
vive num corpo estranho.

Catão
Setembro 2009



19 de fevereiro de 2011

"Eléctricos Antigos", New Jamp



Nos anos 40, numa festa de gente fina, a dona da casa pergunta provocadoramente ao meu tio:
- O seu apelido é Ávila? Não me diga que os eléctricos da Duque d'Ávila são seus!
- A Senhora está parcialmente correcta e parcialmente enganada: os meus são os da direcção Saldanha - São Sebastião e os direcção São Sebastião - Saldanha são do meu irmão.
Não é verdade ò Mano?

Tio António
pela voz de meu Pai
Setembro 2005

13 de fevereiro de 2011

a

"Comics Lesen" de Rudi Hurzlmeier


Je ne connaissais ni le titre, ni l'auteur de ce roman. J'ai feuilleté et me suis arrêté au hasard sur un paragraphe. J'ai lu trois fois dix lignes à cinquante pages d'intervalle.
Il y a dans la lecture quelque chose magique qui reléve de l'irrationnel. Avant d'avoir lu, on devine tout de suite si on va aimer ou pas. On hume, on flaire le livre, on se demande si ça vaut la peine de passer du temps en sa compagnie. C'est l'alchimie invisible des signes tracés sur une feuille qui s'imprime dans notre cerveau. Un livre c'est un être vivant. Les gens, rien qu'a les voir, vous savez à l'avance si vous serez leur ami.

Jean Michel Guenassia
in "Le Club des Incorrigibles Optimistes"
Dezembro 2010

8 de fevereiro de 2011

"Colombe et prisionnier" de Pablo Picasso



Bird on the wire

Like a bird on the wire
Like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free

Like a worm on a hook
Like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee

If I, if I have been unkind
I hope that you can just let it go by
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you

Oh, like a baby, stillborn
Like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me

But I swear by this song
And by all that I have done wrong
I will make it all up to thee

I saw a beggar leaning on his wooden crutch
He said to me, "You must not ask for so much"
And a pretty woman leaning in her darkened door
She cried to me, "Hey, why not ask for more?"

Oh, like a bird on the wire
Like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free

Leonard Cohen
1970

2 de fevereiro de 2011

"Étude de mains" de Pablo Picasso



Qual a cor desta noite
e de que dedos
são feitas estas mãos
que não me dás?

António Lobo Antunes
Agosto 2006


27 de janeiro de 2011

"Schiffbruch - Der Untergang Venedigs" de Friederich Hundertwasser


Só vale a pena ser vadio
quando se contempla e se percebe
o mundo.

Agostinho da Silva
Maio 2005


Hoje é para a Joana.

18 de janeiro de 2011

"Lake George" de Georgia O'Keeffe



Não tenho nada de novo para ensinar ao mundo.
A verdade e a não-violencia são tão velhas como as montanhas.

M.K. Gandhi
Junho 2007

13 de janeiro de 2011

"Som do S", rosário


Som do S

S.O.S.
Se estamos sós
S aos ésses
S em esse
S em rosa
S em sabão
S em estrada
S serpente
Sibilina
Do deserto
Ondulante.
O que gosto mais
É do S de Azeitão,
Biscoito
Doce
Que me aquece.

Rosa Félix
in Redacção sobre uma letra do alfabeto.
Novembro 1996

Para a Rosa que andava no 5ºano e que entretanto cresceu.

5 de janeiro de 2011

"As Janeiras", colagem de Marlene, 1992



Aliás, melhor do que uma família verdadeira; uma família escolhida, desejada, pela qual tinham lutado e que não lhes pedia nada mais em troca do que serem felizes juntos. Aliás nem sequer felizes, já nem pediam tanto. Estarem juntos, apenas isso.
O que já era excepcional.

Ana Gavalda
in "Ensemble, c'est tout"
Outubro 2006

Para uma das minhas famílias.

1 de janeiro de 2011

"Autoportait" de Jean-Michel Folon


J'ai seulement essayé de faire
mes propes rêves avec l'espoir
que les autres y acrochent leurs.

Jean-Michel Folon
in Fundation Folon
Outubro 2008

25 de dezembro de 2010

"Le verger" de Maurice de Vlaminck


Tive a sorte de nascer
numa aldeia da Beira-Baixa
onde aprendi a escutar o rumor do mundo.

Eugénio de Andrade
Junho 2005

19 de dezembro de 2010

"As Janeiras" colagem de Sandra, 1992



Sempre chegamos onde nos esperam.

José Saramago
in "A Viagem do Elefante"
Setembro 2010

11 de dezembro de 2010

"Libellule aux ailerons rouges à la poursuite d'un segment glissant en spirale vers l'étoile comète" de juan Mirò




Eu não invento nada, está tudo aqui!
É por isso que tenho de viver aqui.

Juan Mirò
Abril 2008

4 de dezembro de 2010

"Nach dem Einkauf" de Gabriele Munter




Só porque um dia, tu,
Mulher misteriosa,
Por acaso, talvez,
olháste para mim.

Teixeira de Pascoaes
in "A Mulher"
Dezembro 2006

28 de novembro de 2010

Imagem de Hoa Qui


A noite nunca chega a ser tão escura, nem longa,
que os homens não depositem a sua esperança no distante nascer do dia.

Laxnes
in "Gente Independente"
Fevereiro 2010

21 de novembro de 2010

"Waske" de Gabriele Munter



Mestre de filosofia
com mais saber e engenho
meu gato mia.

Agostinho da Silva
Maio 2007

15 de novembro de 2010

"Grupo de casas na Primavera" de Johannes Itens



Passado

Quando é que deixamos de pertencer a um sítio? Como é que sabemos que aquele sítio já não nos pertence? Não sei.
E, todavia, se entrarmos nesse sítio, o corpo vai dizer-nos aos gritos ou em tímidos sussurros que nos tornámos passado. O corpo nunca se engana.

Fátima Ribeiro
Outubro 2010

12 de novembro de 2010

Público - Mais de cem pessoas acenaram na última despedida

Público - Mais de cem pessoas acenaram na última despedida


A minha homenagem ao Senhor do Adeus.
O postal virá um dia.

Remember Me in Your Dreams
http://vimeo.com/15744087




Eu andava pela rua a espantar a madrugada e as pessoas começaram a acenar-me.
Respondi, correspondi e agora é a minha vida.
João Manuel Serra, o Senhor do Adeus

10 de novembro de 2010

"Red Hills" de Georgia O'Keeffe


Quando se tem um ideal,
o mundo é grande em qualquer parte.

Álvaro Cunhal
Junho 2005

2 de novembro de 2010

"Regentag on waves of love" de Hundertwasser


Evitarei ter demais
e gastarei sempre menos
qualquer navio, nenhum cais.

Agostinho da Silva
Maio 2007

25 de outubro de 2010

"Oiseau d'outre-mer" de Max Ernst


Sometimes a man must be alone
and there is no place to hide.

Bob Dylan?
Outubro 2010

20 de outubro de 2010

Pintor japonês, cujo nome nem título não constam no verso do postal



Que sei eu do que serei
eu que não sei quem sou?

Fernando Pessoa
Dezembro 2006

16 de outubro de 2010

"Seated Nude, View from the back" de Henri Matisse



Quase sempre ao longo da história,
anónimo era uma mulher.

Virgínia Woolf
in Jornal "Público"
Agosto 2007

13 de outubro de 2010

"Les écoliers de la rue Dasmene" de Robert Doisneau


Deixa-te levar pela criança que foste.

in "O Livro dos Conselhos"
Dezembro 2006


Há precisamente 60 anos, numa sexta-feira, 13 crianças iniciavam uma nova escola.
Hoje, a Bertinha, sua fundadora, está de parabéns.

6 de outubro de 2010

"Scaletta" de Piero Dorazio


- Observa as cores-disse o papá.
É difícil não gostar de um homem que, além de reparar nas cores, ainda fala delas.

Markus Zuzak
in "A Rapariga que roubava livros"
Abril 2010

29 de setembro de 2010

Pintura de Sá Nogueira, 1964


Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente,
há uma certa cumplicidade vergonhosa.

Victor Hugo
Abril 2008

25 de setembro de 2010

"Chez Nardo"


Contar os dias pelos dedos e encontrar as mãos cheias.

José Saramago,
no dia em que recebeu o Nobel da Literatura
e ficámos tão contentes.
Outubro 1998

17 de setembro de 2010

Imagem de"Triangle Postais"



As grandes cabeças têm ideias,
as cabeças médias acontecimentos
e as cabeças pequenas discutem pessoas.

Eleonor Roosevelt
Agosto 2010

11 de setembro de 2010

once more

"Golconde" de René Magritte

And if you fall
fall on the right side of luck.

Leonard Cohen
Julho 2009


What a nigth.
What a final.
What a privilege of having been there.
September 2010

6 de setembro de 2010

"L'aube" de Jean-Michel Folon


A visão é a arte
de ver as coisas invisíveis.
Anónimo
1979

31 de agosto de 2010

"Birdman" de Mehmed Unal



Nunca desejei ter um belo carro ou qualquer outra coisa a não ser eu mesmo.
Posso ir para a rua com as mãos nos bolsos e sentir-me um príncipe.

Albert Cassery
Agosto 2010

24 de agosto de 2010


Chez Nardo on est heureux.

rosário
Agosto 2010

21 de agosto de 2010


"Blauen See" de Gabriele Munter

A terra pertence ao dono
mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar.

Anónimo
in "No teu deserto"
Agosto 2009

19 de agosto de 2010

"The sea" de Jan Toorop


Mar sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumente quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Agosto 2010

Para Yasmine e Nardo Imbernon.

14 de agosto de 2010

"Campo de trigo" de Pierre Auguste Renoir

Soror Mariana Beja

Cortaram os trigos.
Agora a minha solidão vê-se melhor.


Sophia Mello Breyner
Junho 2009

8 de agosto de 2010

"Batente de porta" fotografia de J.P. Sotto Mayor


É proibida a entrada
a quem não andar espantado de existir.

José Gomes Ferreira
Junho 2009

2 de agosto de 2010

"On the road" de Jean-Michel Folon


La vérité, c'est qu'on ne sait
comment nommer ce qui nous pousse.
Quelque chose en nous grandt
et détache les amarres,
jusqu'qu jour òu,
pas trop sûr de soi,
on s'en va pour de bon.
Un voyage se passe de motifs.
Il ne tarde pas à prouver
qu'il suffit à lui-même
On croit que l'on va faire un voyage,
mais bientôt c'est le voyage qui vous fait
ou vous défait.

Nicolas Bouvier
Julho 2010

26 de julho de 2010

Imagem de Ton Schulten


Conta o teu segredo ao vento,
mas não o culpes por ele o contar às árvores.

Khalil Gibran
in "Mil sois Resplandecentes"
Maio 2010